Os X-Size são uma nova proposta no panorama do Hard Rock em Portugal que estrearam no mercado discográfico de longa duração no ano passado com álbum intitulado de “Nobody Cares”.

Os elementos que constituem a formação da banda conta com a voz de Alex Van True, os dotes de guitarra de Vic Visacce, a precisão do baixo de Domenico Sambá e a máquina rítmica de Patrick Cavalcante. Só pela adopção de nomes artísticos consegue-se entender que a abordagem musical dos X-Size remonta para a década de 1980, período onde o “Hair Metal” reinava as ondas televisivas da MTV, contudo as músicas presentes neste disco não representam uma tentativa nostálgica de recuperar esse estilo, mas sim um aperfeiçoamento da fórmula, demonstrando que a banda tem talento e capacidade de escrever temas memoráveis e orelhudos.

No entanto tomo como relevante a importância que Alex Van True tem na criação dos X-Size, devido à sua enorme envolvência no meio musical em Portugal nomeadamente que diz respeito ao mercado das “bandas de tributo”, que vão desde os Nirvana até aos Abba. Dessas bandas realço os “One Vision”, devido ao facto de este ano celebrarem 10 anos de carreira com concertos dados em praticamente todo o território nacional e terem criado uma legião de seguidores e de interessados pela banda que presta tributo a uma das maiores e das mais importantes bandas rock do século XX, os Queen.

Por este motivo a bagagem que este elemento possui através da vida de estrada em grande parte graças a estes tributos, permite ser um trunfo valioso que, para além de estar acompanhado de músicos experientes, dá criatividade de compor temas originais que irão seguir o rasto deixado por bandas inseridas dentro deste estilo musical.

É curioso terem adoptado o título “Nobody Cares” para o álbum de estreia, visto que  esta decisão pode ser encarada como sendo um “statement” face à indústria musical dos dias que correm, principalmente pelo foco exagerado dado ao elemento económico da mesma, que por sua vez, contribui para um decréscimo da originalidade de projectos musicais, dando assim prioridade a uma abordagem mais artificial, de consumo rápido em vez da uma gestação bem articulada das bandas e dos seus temas que reportam a assuntos relevantes por parte do artista que queira explorar, com a possibilidade de criar uma relação mútua com o público, algo que na minha opinião é algo que hoje em dia “ninguém quer saber”.

O álbum abre com “Reborn”, tema que entra logo “directo ao assunto”, evidenciado pelo riff de guitarra agressivo, acompanhado com um “break” de bateria igualmente forte e que para além do refrão emblemático, torna-se um argumento mais que válido para ser o tema introdutório deste álbum.

Continuando com o simbolismo de ressurreição, “Hot Jesus” foi um dos primeiros temas que os X-Size disponibilizaram, que em grande parte faz lembrar de imediato, a alcunha que o actor Diogo Morgado obteve pela imprensa “cor de rosa”, devido ao seu papel enquanto Messias na série norte americana “The Bible” e por esse motivo atribui uma dimensão humorística e até mesmo satírica ao tema, fazendo com o ouvinte seja cativado pelo seu refrão, para além dos arranjos melódicos construídos.

O resto do álbum é composto essencialmente por hinos ao Hard Rock, que bebem um pouco de todos os projectos actuais que influenciaram de uma maneira ou de outra, o incontestável líder Alex Van True (mas também o resto da banda), desde a grandiosidade dos Queen com uma pitada q.b. de rock progressivo, até à atitude dos Guns ‘n’ Roses, sendo “Never Deny”, “Scorn” e “Hong Kong” as faixas que se destacam mais relativamente aos pormenores que acabei de proferir.

Destaco ainda para “All My Life”, como sendo um dos melhores temas presentes no disco, que apesar de ser uma balada em comparação com as outras músicas, nutre de uma emoção em grande parte pela voz de Van True, que concede uma forte dimensão composicional e ao mesmo tempo sentimental, que na minha opinião, faz recordar o  desejo antigo por parte de bandas de terem vontade de encher estádios, repleto de fãs a entoar os versos das suas canções.

Em suma, a estreia dos X-Size foi em grande e por isso mostraram que têm pano para mangas para se tornarem num caso sério dentro da música rock em Portugal. Em breve irão lançar uma edição especial deste disco, que irão contar com a participação de Adelaide Ferreira, Marco Resende (ex Low Torque/ Scar of Life) entre outros, e por este motivo faço um apelo para que estejam atentos às plataformas digitais para estarem a par das últimas novidades. Novamente recordo que o apoio dos fãs a novas bandas é vital nos dias que correm, por esse motivo oiçam o álbum na Internet (visto que a banda o disponibilizou quer no Youtube, quer em arquivo para descarregar os ficheiros para o computador e caso seja do vosso agrado compram o album em formato físico), mas também assistam aos concertos e adquiram merchandise, pois quem sabe se os X-Size serão um dos novos fenómenos da música portuguesa. Eu sinceramente espero que sim pois têm todos trunfos que o permitam ser, por isso só depende de “nós”, o público.

Podem acompanhar o trabalho dos X-Size em:

Site Oficial: www.xsizerocks,com

Facebook: http://www.facebook.com/xsizerocks

João Pardal