O título desta reportagem pode muito bem resumir os dois dias vividos na Academia de Linda-a-Velha. O LVHC Fest foi um evento que decorreu no último fim de semana de Janeiro e contou com a presença com inúmeras bandas do circuito “underground”. Apesar do festival ter decorrido, num espaço, que em tempos foi uma “Meca” das matinés do género Hardcore-Punk português, o evento contou com um cartaz diversificado, no que diz respeito a géneros musicais “pesados”.

Este “mini festival” foi uma verdadeira amostra sobre o tipo de bandas que existem em terras lusas. Desde o Black Metal, passando pelo Hard Rock, Death Metal, Grindcore e sem esquecendo o Hardcore (que dá nome ao festival), o ambiente foi de festa, suor, empurrões, convívio e sobretudo de companheirismo. Dizemos isto, porque foi evidente o respeito entre bandas que participaram

O evento foi anunciado “aos poucos” nas redes sociais, através da divulgação dos artistas que viriam a actuar no festival. Aliado à promotora Hellxis, Hugo Lourenço foi um dos principais mentores do projecto, que desde a primeira hora, queria dar espaço às bandas nacionais. Também conhecido por Zé Goblin, o vocalista dos Trinta e Um (cabeças de cartaz do segundo dia) esteve presente em todos os concertos vendo de perto, a performance dos seus colegas e dando apoio, tanto na linha da frente, como dos bastidores do festival.

Para alguns este festival representou uma reunião familiar, pois era evidente a camaradagem, tanto dentro e fora do pequeno palco da academia. Entre cervejas e cigarros, a alegria de estar mais uma vez neste local era patente na cara dos espectadores. Alguns podiam só passar pelo espaço para beber um “copinho”, mas era difícil não ficar contagiado pela multidão vestida com tshirts pretas alusivas às suas bandas favoritas. Entre risos, uns ocasionais berros e o constante burburinho das conversas, é assim que se pode caracterizar o ambiente vivido à porta da Academia de Linda-a-a-Velha.

Advogado do Diabo

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Advogado do Diabo em palco

Foi a todo gás que os Advogado do Diabo cortaram a fita de inauguração do LVHC Fest. A banda, que também dá nome a uma música dos anfitriões Trinta e Um, deram tudo em palco, com riffs pungentes e melodias carregadas de emoção, em grande parte protagonizada pelo vocalista enérgico Rui Kaiapo.

Entre os diversos fãs que tiveram presentes neste concerto, esteve Rui Correia, vocalista dos Jackie D e Grankapo, que teve o prazer de partilhar o palco com a banda. Ainda foram algumas pessoas que fizeram a festa, mesmo com a sala “despida”. Desde intervenções políticas ao afirmar Portugal como sendo “o melhor país nas piores mãos”, até aos empurrões algo “tímidos” sobre a forma de “mosh”. Um dos momentos que dou destaque foi algo bastante “fora de normal” para alguns. Para além dos elementos da banda em cima do palco, estava também uma criança entre os 4, 5 anos que estava a assistir pacatamente no centro, visível na foto em cima. Mais tarde, viria a revelar-se a ser o filho do guitarrista “Migalhas”. Teve o seu momento “fofinho” ao cantar o refrão do tema homónimo da banda. Advogado do Diabo foi sem dúvida a melhor banda para começar o evento e esperamos que para o ano esteja num lugar mais cimeiro do cartaz.

Jackie D

Uma banda de rock ‘n’ roll mais “tradicional”, o que significa músicas com solos de guitarra com fartura. Com Rui Correia ao microfone na linha de frente deste armada rockeira, não é de estranhar esta vivacidade dos Jackie D, tendo em conta que o vocalista tem bastante experiência em concertos, graças aos Grankapo. Apesar de não sido uma escolha óbvia, foi recebida de braços abertos pelo público. É curioso notar que após o concerto anterior, Rui Kaiapo esteve presente dar ânimo aos seus colegas de profissão. Foi mais claro o “abanar de capacete” do que o mosh, mas mesmo assim foi um concerto que cumpriu, duma banda que está a dar provas que, se continuar neste ritmo, será um dos nomes em ter em conta num futuro próximo.

Burn Damage

Existe o preconceito que a música pesada é música de “gajo”, mas os Burn Damage vieram contraiar as tendências, ao apresentar um death metal consistente. Liderados pelos imponentes growls de Inês Freitas metem qualquer um, arrebatado pela sua potência vocal. A devastação causada pela barreira sonora, em grande parte pela guitarra a disparar com cada cada linha melódica mais frenética com a outra, foi o mote para verdadeiros momentos de puro caos e de “crowdsurfing” na Academia. O tema “Burn them all” e “Reborn” foram alguns dos momentos altos da actuação da banda, que se encontra a gravar um novo álbum de originais.

Mordaça

A jogar em casa, os Mordaça, à partida, teriam a tarefa mais facilitada. Com álbum novo na bagagem, o concerto foi de Hardcore a 101%. Entre os empurrões e o canto em uníssono por partes dos fãs, dois dos momentos altos ocorreram quando Inês Menezes, vocalista dos Nostragamus, subiu ao palco para cantar “Ovelha Mansa” para gáudio dos presentes. Também a participação de Goblin em “2795”, culminou o estatuto dos Mordaça como banda herdeira da tocha “Hardcore”, fazendo com que este concerto fosse acarinhado pelo público.

Theriomorphic

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Theriomorphic a mandar o “ar da sua graça” com o seu Death Metal “sem tretas”

A enérgica fusão entre o thrash metal, death metal e uma pitada de doom metal fizeram com que os Theriomorphic se conseguissem encaixar na perfeição alimento deste festival. Fundados em 1997, na zona de Lisboa, com dois álbuns de originais e uma carreira com quase 20 anos,  demonstram ser um dos nomes mais sonantes do panorama do metal nacional.

Dr. Bifes & os Psicopratas

Quando se fala em “Linda-a-Velha” e “Hardcore” é inevitável não falar nesta mítica banda. Composta por Bifes (voz/baixo), Rato (bateria) e Metralha (guitarra), são um marco do movimento, contam com muitos quilómetros de concertos dados, o que faz com que os fãs nunca fiquem desiludidos. Infelizmente existiram alguns problemas técnicos com o baixo mas foram resolvidos com facilidade, graças à ajuda João Pinto (baixista de Mordaça). Tudo se recompôs e a festa continuou, o que demonstra o espírito de família e camaradagem existente entre todos.

Clockwork Boys

Juntos desde 2004 com influencias do rock ‘n’ roll “made in Australia” e do Punk americano de ’77. Possuem uma postura bastante descontraída e usam como “arma lírica” a comédia (o que torna os seus temas bastante contagiantes e energéticos). Destacamos o pequeno tributo que fizeram ao falecido Lemmy Kilmister (baixista e vocalista de Motörhead) com a música “Glória aos Piratas”.

Filii Nigrantium Infernalium

A derradeira “homilia” ficou ao cargo desta banda lisboeta, todo um ambiente mórbido se instalou naquela sala. Filii Nigrantium Infernalium, banda de black metal fundados nos finais dos anos 80, foram os cabeças de cartaz do primeiro dia do festival. Com uma forte presença em palco, lírica satânica e anti-cristã, fizeram insurgir um gosto mais requintado para alguns fãs dentro deste estilo.

Agradecimento especial a Paulo Martins, que teve a dedicação de gravar vídeos do evento.

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João Duarte & João Pardal