Os Paus são capazes de ser a banda mais original dentro do espectro da música alternativa/indie português. Isto porque apostam em sonoridades que tentam fundir, um pouco de tudo, desde música tribal até ao rock com elevadas doses de distorção. “Mitra”, o terceiro registo não foge à regra, mas desta vez, o quarteto apresenta uma selecção de músicas com uma abordagem mais “orelhuda” e ao mesmo tempo “desvairada”. Por causa desta “salada russa”, a banda tem dado que falar e presença em palcos internacionais tem sido constantemente maior.

Antes de ouvir o disco, o título poderia sugerir dois significados. Em primeiro lugar existe uma perspectiva religiosa, porque “mitra” é uma insígnia religiosa, normalmente usada pelos bispos. Por um outro lado, a interpretação do nome do disco poderia ser levado para uma dimensão urbana, visto que em calão, um “mitra” é um delinquente social.

Considero que a segunda definição vai mais ao encontro da sonoridade do álbum, porque explora musicalidades que se inserem num contexto mais citadino. Quando ouvimos o álbum parece que existe um cheiro a asfalto das estradas e conseguimos ver as diferentes cores do “negrume” da cidade. Mesmo assim essa disposição, estruturada por arquitectos, é também susceptível a vandalizações e é aí que entram os Paus.

“Pela Boca” e “Era Matá-lo” são dos temas mais imediatos que já escreveram, em grande parte devido aos refrões repetidos propositadamente. Em comparação com o género musical praticado pela banda, os temas instrumentais sugerem ao ouvinte de desenhar a seu próprio percurso musical, como é o caso de “Água de Rosas” e “Olhos de Asma”.

“Mitra” não é um álbum que cause “choque” imediato, porque já os vimos a fazer melhor, em registos anteriores. É um álbum de “altos e baixos”, mas não é por isso que o torne um disco mau. Para quem não conhece a banda, vale a pena descobri-los para ver a criatividade dos músicos envolvidos. Não é por acaso, pois todos eles pertencem (ou pertenceram) a bandas de renome português (como é o caso de Joaquim Albergaria dos The Vicious Five, João Pereira dos If Lucy Fell e Hélio Morais dos Linda Martini). Para fãs e ouvintes de música alternativa é, sem dúvida, um “must listen” de 2016.

Podem acompanhar o trabalho dos Paus no Facebook e ouvir o álbum em:

Facebook: https://www.facebook.com/pausmusic/

Web: https://universalmusicportugal.lnk.to/PausYD