O festival de música mais camaleónico de Portugal aterrou mais uma vez na zona ribeirinha do Parque das Nações em Lisboa.  Apesar da ser a 23ª edição é apenas a segunda vez que se realiza nos moldes actuais.

Durante os dias 14, 15 e 16 de Julho ouviu-se música dos mais variados géneros musicais.Para quem nunca foi o festival, o recinto abrange parte da antiga zona da Expo. Debaixo da pala de betão que cobre o Pavilhão de Portugal é o local do palco secundário, enquanto que no interior da Meo Arena é o local designado para receber os artistas cabeças de cartaz.

Uma novidade em relação ao ano passado é a inclusão de copos de plástico reutilizáveis. Esta medida foi justificada pela organização para diminuir a pegada de poluição “típica” de festivais ao terem copos de plásticos espalhados pelo recinto.

O copo tinha um custo de dois euros, mas era possível ser trocado por um limpo em qualquer quiosque. Os portadores também o podiam levar como recordação do evento, ou então pode ser devolvido o valor pago na totalidade.

À semelhança da edição portuense do “Nos Primavera Sound”, a iniciativa foi muito bem recebida por parte do público. Foi possível notar uma melhoria nas condições do recinto, com a redução drástica de lixo, beneficiando o bem-estar do espaço envolvente.

Como muitos espectadores, a ida a um “grande” festival implica que uma pessoa faça escolhas. É impossível ver todos os artistas do cartaz e por isso a presente reportagem apenas vai mostrar a minha rota durante os três dias de festival.

O cartaz esteve repleto de artistas diversificados, com nomes fortes do rock como Iggy Pop e Bloc Party; da música alternativa com Massive Attack e The National e finalmente do hip-hop como os veteranos De La Soul e a estrela mundial chamada Kendrick Lamar.

A música portuguesa também esteve bem representada nos mais diferentes géneros musicais, como os Pista, Surma, Pás de Probleme Pista, Capicua, GNR entre outros.

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Num festival é preciso fazer escolhas, consoante as preferências musicais

Primeiro dia

           Surma

Débora Umbelino é o nome que consta no cartão de cidadão, mas enquanto artista é conhecida por Surma. O projecto “one woman band” vindo de Leiria tem dado cartas no último ano com uma agenda preenchida de concertos nos mais diversos espaços, desde festivais ao ar livre ou em bares intimistas.

Graças à plataforma Tradiio (uma rede social dedicada a músicos) conseguiu a oportunidade de pisar o palco secundário do festival. Foi também o concerto que deu início às “festividades”, por isso havia uma carga de “pressão” acrescida.

Para tornar o concerto ainda mais especial, Surma fez-se acompanhar de Carolina Carmujo, tocadora de harpa, uma estreia inédita. Surma chega a confessar no meio do concerto que teve “3 meses de ensaio” para chegar aquele momento.

Com fãs ostentando cartazes de apoio, o concerto foi fiel ao estilo que tem presenteado, sempre acompanhada com o sintetizador numa mesa com uma toalha de flores. “Maasai” foi entoada timidamente, e “Basquiat” foi correspondida com palmas em uníssono.

E foi assim o pontapé de saída do Super Bock Super Rock 2016, com a concretização de um sonho da artista com apenas 21 anos em poder actuar num dos mais respeitados festivais portugueses.

                Lucious e The Villagers

Os Lucious compostas por um dueto de vozes feminina apresentou um pop indie, com influências claras a Fleetwood Mac. Foi a estreia da banda norte-americana em palcos portugueses e a sonoridade não vive apenas do passado. A dupla de nova-iorquina possui um “sabor” moderno com um guitarrista e dois percussionistas, fazendo lembrar as secções rítmicas de Woodkid e uma sensibilidade de arranjos pop de Lykke Li ou Haim.

Ostentando perucas de cor cinzenta com corte de cabelo “à tigela” e fatos de licra da mesma cor, apresentaram-se com temas do mais recente disco “Good Grief”.

Os irlandeses The Villagers estiveram por terras há menos de um ano em Portugal, mais concretamente em ocasião do Vodafone Mexefest. O concerto foi marcado por problemas técnicos que se fizeram notar por toda a atuação. A voz de Conor O’Brien estava demasiada baixa quando começaram a soar os primeiros acordes, chegando mesmo a perguntar ao público o que era mais que óbvio.

A música tradicional irlandesa unida com arranjos de “folk” americano voltaram a baixar as dinâmicas do festival. Em vez do alto ruído de guitarras eléctricas, a harpa e uma bateria minimalista deram lugar ao intimismo de temas emocionalmente intensos como “Hot Scary Summer”, “Little Bigot” ou “Occupy Your Mind”.

Foi um concerto a meio gás e percebeu-se a desilusão quer a níveis técnicos, mas também por parte da plateia que presenciou o concerto.

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The Villagers no palco EDP

 

                Kurt Vile

O concerto de Kurt Vile era dos mais aguardados do palco secundário. A plateia já estava bastante composta e visivelmente ansiosa pela entrada em palco do músico. Acompanhada pela “sua” banda de suporte os “The Violators”, Vile corresponde a um Neil Young dos tempos modernos. O timbre da voz e o banjo estabelece um paralelismo quase inevitável. A única coisa que o distingue é o longo cabelo encaracolado, algo que Young nunca chegou a ter naquele comprimento

Em “Jesus Fever” Kurt Vile faz uma pequena crítica às religiões, ao dizer que o mundo ultimamente tem tido uma “febre” como desculpa de fazer de actos de violência. A maior parte das canções são cantadas em plenos pulmões, como foi o caso em “Pretty Pimpin”.

Sempre com um jogo de contra luz impossibilitava ver, com clareza, o rosto dos músicos dando assim uma aura misteriosa ao concerto. Um pormenor curioso mas que marcou o concerto foi a presença de um miúdo na grade do lado esquerdo da plateia. A criança, que não chegava aos 10 anos de idade, estava em delírio, ao saltar de alegria ao ouvir cada acorde da guitarra de Kurt Vile e companhia. Um momento bonito que não passou por despercebido por alguns espectadores do público.

No geral foi um dia morno de concertos. Apesar de não terem sido maus não foram para além do “bom”. Serviu como aperitivos para os dois dias que restavam.

 

Segundo dia

 

O primeiro dia do festival, 0 Sol tinha apimentado uma tarde de concertos e calor. No segundo a temperatura aumentou bastante, tanto pelos concertos, mas também pelo ambiente vivido no recinto.

O vestuário dos “festivaleiros” era um reflexo do ambiente soalheiro. Os calções curtos (tanto dos rapazes e das raparigas), as t-shirts de bandas, os copos de plástico nas mãos e os chapéus de palha (oferta do patrocinador do festival) denunciavam um clima festivo, em véspera de fim de semana.

              Pás de Probleme

“Padrada”: É a palavra chave que resume o espírito e a música feita pelos jovens portugueses. Uma mistura explosiva que invoca a exigência técnica do jazz, a energia do punk e a disposição irreverente digna de um espetáculo numa feira de variedades.

As camisas havaianas, as fardas de marinheiro, os óculos de sol não deixam enganar que estamos a embarcar numa viagem num mundo musical completamente livre de rótulos e de regras. Mundo esse em que tem um “antídoto” num garrafão de cinco litros, com uma etiqueta escrita à mão “Real Padrada”.

Na plateia a reação correspondida com as cargas de adrenalina sob a forma de “mosh” e um pequeno “Wall of Death”, mesmo com número reduzido de espectadores.

Entre cambalhotas do vocalista e “crescendos” de dinâmicas do resto da banda, pede-se um horário mais tardio para uma banda cheia de carisma e com um repertório… falta de melhor palavra… de “padrada”. Venha daí o álbum de estreia.

            Pista

A minha primeira e única incursão no palco 100% dedicado à música portuguesa. Vindos do Barreiro, os Pista apresentaram um rock musculado com riffs melódicos, que convidavam o público a “navegar” pelas paisagens criadas pelos arranjos do grupo.

“Bamboleio”, único álbum de estúdio editado, seria um concerto apenas centrado em temas instrumentais. Porém do alinhamento, de repente, o cenário muda-se com a entrada de Alex Teixeira, vocalista e músico dos “D’Alva”. A partir daí o concerto tem uma ascensão, a nível meteórica de excelente para memorável.

A interação de Alex é notória nos projectos e com os Pista fez-se também notar. Com uma presença capaz de meter inveja a muitos músicos, Alex Teixeira deixou tudo em palco: desde “stage diving”, a uma provocação insinuada a outros géneros musicais, que segundo o mesmo, só “falam em engatar a miúda”. “A música é muito mais para além desse estereótipo. Existe muito mais música portuguesa por explorar”, concluindo em ovação total por parte da plateia.

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Os Pista, trio do Barreiro, no palco Antena 3

 

 

             Bloc Party

Os Bloc Party foram um caso sério de popularidade há 10 anos atrás. No caso português devido ao uso de “Banquet” numa campanha publicitária de uma operadora móvel. Mas para além do apogeu, os temas que acompanhavam o resto do álbum eram hinos ao rock enérgico do novo milénio.

Contudo em 2016 e com mudanças dos elementos da banda pelo meio, a sonoridade dos Bloc Party foi sofrendo alterações. Kele Okereke, vocalista e o “capitão da festa”,  abriu  as cerimónias ao afirmar que “sexta-feira” era o dia preferido porque é dia de ficar pedrado”. Não desiludiu o público que estaria à espera para ver Iggy Pop e Massive Attack.

Kele, britânico de gema, arrancou uma ovação geral quando felicitou a selecção portuguesa de futebol pela conquista do Euro. Os temas mais celebrados foram os hinos do indie rock “Banquet”, “Helicopter” e“Ratchet”.

                Iggy Pop

Sem desprezando os outros artistas do cartaz, Iggy Pop é capaz de ser uma das figuras vivas com mais “história” do rock ‘n’ roll . Para além de ter feito parte do grupo dos “Stooges” com os irmãos Ashton, tendo lançado o monumento do punk “Raw Power” em 1973 (há mais de 40 anos!)

Mesmo depois de ter saído do grupo, o mítico frontman fez mais de 15 álbuns de estúdio e a lista de colaborações é de meter respeito a qualquer “rocker” que se preze.

A ocasião da visita ao festival deve-se ao que é provavelmente o último álbum de estúdio “Post Pop Depression”. Mas quando Iggy Pop entrou em palco a rasgar os primeiros versos de “No Fun”, o público imediatamente prestou vassalagem à lenda “em carne e osso”.

Sim, porque a figura de Iggy Pop deve-se sobretudo à icónica imagem do “tronco nu” com calças de ganga apertada. Entre cuspidelas e danças em pleno palco Iggy Pop não para em palco. O espírito do quase septuagenário é inacreditável. Seguiu-se “I wanna be your dog” e a festa podia acabar ali que já teria sido uma noite memorável para os milhares que se ajuntaram nessa noite na Meo Arena.

A sequência do alinhamento é recheada em clássicos do rock como “The Passenger”, “Lust for Life”, “Sixteen”, ou “1969”.

Depois de uma curta saída de palco para o encore, ouviu-se “Search and Destroy”, acabando em grande a prestação de Iggy Pop. Foi um concerto de empurrões, suor de principio ao fim, tal como o concerto “à antiga” deveria ser.

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Iggy Pop a dar o “corpo ao manifesto”, enquanto que a banda está vestida de negro

 

 

            Massive Attack

Hipnótico: é o melhor adjectivo que resume último concerto do palco principal.

Com mais de 20 anos de carreira, os britânicos Massive Attack são uma das bandas recordistas na presença no festival lisboeta. Apesar do nome sugerir um tipo de música “violenta”, o grupo, vindo de Bristol, apresenta um espectáculo visual impressionante. Desde mensagens a criticar os atentados dos últimos meses em todo globo até à mais recente “febre” do Pokémon Go, o objectivo dos Massive Attack é fazer um “statement” social e político.

As mensagens, escritas na língua de Camões, dão ainda mais impacto à performance da banda de “trip-hop”. Nesta incursão à Meo Arena, fizeram-se acompanhar pelos Young Fathers, artistas que colaboraram no mais recente EP “Ritual Birth”. Mesmo em “Unfinished Sympathy”, tema que encerra o alinhamento, o público está rendido ao “estrondo” que acabaram de assistir.

As dinâmicas baixas dos sintetizadores  aliadas às dotes de “spoken word” dos vocalistas provam que os Massive Attack são um conjunto de artistas, que usam (e abusam) do ditado “a música é uma arma”.

Terceiro dia

 

O dia derradeiro da edição 2016 do Super Bock Super Rock estava repleto dos melhores artistas hip-hop e rap nacional e internacional (mesmo com uns GNR engolidos pelo meio).

Encabeçados por Kendrick Lamar e De La Soul, os palcos secundários tinham Slow J, Mike El Nite, Capicua e Orelha Negra.

O dia estava esgotado há já alguns dias e percebia-se mal entravámos no recinto. A afluência de pessoas era visivelmente maior e o público era desta vez mais diversificado, ansiosos para ver Kendrick Lamar ao vivo.

 

 

                The Parrots e Kelela

O dia começou cedo com o grupo “The Parrots” a dar início às hostilidades no palco secundário.

A banda de rock alternativo, misturado com influências “surf rock”, deu um concerto curto mas eficiente.Enquanto “nuestros hermanos” congratularam a vitória da selecção no europeu de futebol, provocando uma alegria colectiva (respondendo com um cântico sobre o jogador Éder ouvido em todos os três dias do festival).

O vocalista chegou a descer do palco várias vezes, dando o microfone aos fãs que estavam nas primeiras filas. Culminou com um “mergulho” para o meio da plateia, que causou impacto, a qualquer um que estivesse a ver.

Kelela estreou-se para o público português com um conjunto de canções de r’n’b, mas com uma dose de soul no timbre da voz. Acompanhada com samples de um “DJ”, o concerto, mesmo que curto, foi carregado de emoção de principio ao fim.

Com referência a antigas paixões como fontes de inspiração de temas, Kelela apresentou algumas baladas que fizeram exigir uma performance para além da média. A artista norte-americana não cedeu a pressões de editoras discográficas e conseguiu construir carreira com “sacríficio e trabalho duro”, como refere. “Obrigado por tornaram o último concerto da digressão especial”, encerrando a prestação da cantora no SBSR.

 

 

                Orelha Negra

Faltavam poucos minutos para as 21 horas, quando uma cortina branca que cobria em altura o palco até ao sistema de luzes reflectiu vultos dos membros dos Orelha Negra.

DJ Crossfader, Sam The Kid e Fred Ferreira (filho de Kalú dos Xutos e Pontapés) são responsáveis de produzir temas com uma maturidade instrumental impressionante.

Durante toda a actuação emanou um ambiente relaxado, condimentado com uma sintonia entre todos os elementos em palco. “M.i.r.i.a.m” e “Parte de Mim”, temas que constaram  no alinhamento, são exemplos claros dessa postura.

Tal como Massive Attack, Orelha Negra são um grupo de poucas palavras. As que foram ouvidas, saíram da mesa de mistura a agradecer as palmas do público. São definitivamente um grupo que preferem deixar a música “falar mais alto”.

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Orelha Negra em palco numa Meo Arena bastante composta

 

 

              De La Soul

Com mais de 20 anos de carreira, o trio de hip-hop De La Soul são, sem dúvida alguma, um dos mais importantes do estilo. Vindos da Costa Este dos Estados Unidos, mesma região onde apareceram rappers Notorious B.I.G e Nas, o grupo têm uma discografia extensa e uma lista de colaborações respeitável.

O concerto foi uma “carta de amor” aos amantes do género musical e não desilidiu a maior parte do público que esperava para ver o Kendrick Lamar.

Entre rimas e “scratches” nas mesas de mistura, Postdnuos, Dave e Maseo usaram o plateia como um “barómetro de festas”, sob a forma de uma “batalha” de quem faz mais barulho. A divisão foi feita através do longo corredor que furava o público em duas metades. Os MC’s lembraram que é apenas uma “batalha amigável”, porque a “humanidade já está farta de guerras”, obtendo assim uma ovação calorosa.

Os veteranos do hip-hop norte-americano têm a lição muito bem estudada.  O final da performance estava reservado para os maiores êxitos como “Me, Myself and I” e “Ring a Ding”.

A surpresa foi a inclusão “relâmpago” de “Feel Good Inc” algo que galvanizou a plateia. Tema dos Gorillaz, que contavam com participação do trio nova-iorquino.

Mesmo admitindo que a verdadeira estrela da noite seria Kendrick Lamar, não baixaram os braços e proporcionaram um concerto da autêntica “velha guarda”.

             Kendrick Lamar

Kendrick Lamar é provavelmente o artista do momento de hip-hop e um dos mais influentes artistas dos últimos anos. O lançamento do disco “To Pimp a Butterfly”, considerados por muitos críticos como o disco do ano em 2015 e a performance nos Grammys cultivaram o estatuto de “super estrela” ao nível planetário.

Com o último dia esgotado há já alguns dias,  o rapper de Compton veio à Meo Arena apresentar os temas um pouco de todos os álbums, incluindo o mais recente “untitled unmastered”.

A mensagem escrita em letras brancas num fundo preto “Olha para os dois lados antes de entrares na minha mente” (tradução livre) resume em essência as temáticas das letras do rapper norte-americano. São histórias pessoais contadas através de rimas carregadas de retratos (demasiado) reais sobre experiências de vida. Músicas como “Swimming Pools (drank)”, “Hood Politics” são exemplos claros que manifestam a posição do rapper.

Mas os lados negativos das letras de Kendrick são ofuscados pelas melodias alegres das canções como “i”. Maior parte do público está delirante. A devoção pelo artista é notória ao ver, braços no ar, saltos e também com alguns fãs da primeira fila a cantar palavra a palavra cada tema do rapper.

Houve também tempo para discos pedidos, como “For Free” e em “King Kunta” é a histeria total.

Depois de terem desfilado todos os grandes êxitos faltavam o tema mais esperado, cujo refrão começava a ser entoado: “Everything’s gonna be allright” (não confundir com a música do Bob Marley).

Já no encore o pedido pela “Allright”, tema que tem ganho relevância em causas políticas, culmina um concerto quase perfeito. Houve também um momento de “falsa partida” a meio da música, quando a banda “finge” sair de palco. Mas voltam à “velocidade da luz” para repetir o refrão.

No fim “ficou tudo bem”. O festival termina e a despedida é feita pela plateia relembrando que foi o Éder que”tramou” a selecção francesa. Ao que tudo indica, nos dias 13, 14 e 15 de Julho 2017 vai ocorrer mais uma edição do Super Bock Super Rock no Parque das Nações. Se mantiver a qualidade do cartaz deste anos, tem tudo para fazer novamente História.

Texto, imagens e vídeo

João Pardal