No dia 18 de Novembro de 1991, os U2 lançaram um dos discos mais marcantes da sua carreira o “Achtung Baby”. Apesar de à época serem uma das bandas rock com mais sucesso à escala mundial, o disco catapultou ainda mais o nome de Bono e companhia para a história da música popular.

Mas qual é a importância do álbum volvidos 25 anos da sua edição original? É assim um trabalho tão importante que merece ser revisitado novamente? Ainda por cima escrito por alguém que tinha dias de vida quando o disco foi lançado?

Para perceber este marco é preciso contextualizar o percurso da banda irlandesa, antes de “Achtung Baby”. Durante a década de 1980 os U2 conseguiram unir a sonoridade rock com mensagens contendo posições políticas contrárias à norma social.

Temas como “Sunday Bloody Sunday” e “Pride (in the name of love) são exemplos de músicas que mostram o poder da oratória do vocalista Bono. Nestes casos as canções referem-se a momentos da História Mundial como o massacre ocorrido no Domingo Sangrento na Irlanda na década de 1970 e da figura de Martin Luther King.

No filme-concerto “Rattle and Hum” de 1988 imortalizou, em vídeo, a noção de espetáculo rock com a veia de crítica sociopolítica inserida nos concertos dos U2. Aliado ao disco mais recente “The Joshua Tree”, Bono Vox, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton tinham o mundo a seus pés rendidos aos êxitos de “Where the Streets Have No Name” e “With or Without You”.

Porém nos bastidores do sucesso, existia um sentimento de cansaço colectivo das digressões, o que por sua vez afectou a criatividade do grupo. Afinal de contas a tarefa é ainda mais difícil, em plena ressaca do sucesso dos discos anteriores. O objectivo seria manter a fasquia e, ao mesmo tempo, produzir algo que saísse de forma natural e que pudesse relacionar com o grande público.

Em 1990 o muro de Berlim tinha sido destruído em prol da reunificação do povo alemão e por isso avizinha-se tempos promissores. A Guerra Fria estava também com os dias contados, extinguindo-se em 1991. Foi com estes dois momentos históricos que inspiraram, em parte, os U2 de criar algo novo.

A produção contou Brian Eno, conhecido nome na música eletrónica britânica, para além de Daniel Lanois, produtor de «Joshua Tree». O facto de terem gravado nos mesmos estúdios que David Bowie gravou, por exemplo o disco «Low», não facilitou. Chegou a ocorrer discussões internas sobre a direcção musical e ponderou-se mesmo o fim da banda.

Porém “arregaçaram as mangas” e contornaram os obstáculos. Um dos grandes responsáveis por trazer a sonoridade foi o The Edge. O “engenheiro” da guitarra foi capaz de reinventar o som eléctrico no instrumento musical, graças aos efeitos de pedais e a diversas técnicas inovadoras.

Os U2 entram, desta forma, nos anos 90 com uma nova personalidade musical e o resto é história. Consumaram a posição como uma das maiores bandas de rock, capazes de encher a lotação de estádios. Intensificou-se a componente estética, apresentada nos concertos das sucessivas digressões e até nos próprios telediscos dos singles.

O disco musicalmente é mais complexo e repleto de temas mais introspetivos como “The Fly”, “Even Better than the Real Thing” e “Mysterious Ways”. A nova faceta une várias sonoridades já conhecidas, mas ao mesmo tempo mantém a identidade da banda irlandesa. Mas foi a balada “One” que definitivamente impulsionou o sucesso para o público mainstream e tornou-se um hino da banda irlandesa.

O resto costuma-se dizer que é história. Os álbuns seguintes «Zooropa» e «Pop» continuaram a tendência iniciada por “Achtung Baby” e as sucessivas digressões tornaram-se ainda mais ambiciosas. O público português pôde assistir aos concertos megalómanos no antigo estádio de Alvalade em 1993 e depois em 1997.

Hoje os U2 são ainda um nome de renome mundial, que tentam estar sempre na crista da onda do rock. Apesar de Bono ser, inevitavelmente  o porta-estandarte da banda, graças ao seu posicionamento ao lado de figuras políticas como Angela Merkel ou Barack Obama.

Pode-se concordar ou não com as questões políticas que os u2 defendem, mas é inquestionável que deixaram a sua marca na história do rock. Isso ninguém lhes pode tirar mérito e “Achtung Baby!” está entre os principais motivos, mesmo 25 anos depois.

 Crónica: João Pardal