Veio ao mundo como Farrokh Bulsara, mas seria enquanto Freddie Mercury que deixaria marca no mundo no século XX. O incontestável líder da banda britânica morreu no dia 24 de Novembro de 1991 aos 45 anos vítima de uma pneumonia, um dia depois de ter anunciado publicamente que era portador do vírus VIH.

A notícia caiu que nem uma bomba nos media, principalmente nos tablóides, que o perseguiram incessantemente à procura de confirmação da doença nos anos 1980. A recusa de embarcar em grandes digressões, após o sucesso do disco «A Kind of Magic» e concentrar os esforços dos Queen, enquanto uma banda de estúdio são alguns dos motivos que fizeram suspeitar que algo estaria mal nos bastidores.

A vida boémia alimentada constantemente pelo estrelato, criando uma postura arrogante de “deus do rock” levaram que Mercury cometesse excessos na sua vida privada. Apesar de ter sido segredo em vida, Freddie Mercury era bissexual, tendo mantido secretamente uma amizade “colorida” com Kenny Evertt, e depois, de forma pública, com a actriz australiana Barbara Valentin (é a bailarina de negro no teledisco «It’s a Hard Life»).

Enquanto vocalista, Freddie Mercury tinha um dom sobrenatural, capaz de cantar até quatro oitavas acima do tom. Era também um talentoso letrista e músico, tendo sido responsável por criar temas como «Killer Queen», «Don’t Stop Me Now», «Crazy Little Thing Called Love», mas o seu maior feito é provavelmente ter composto a mais épica ópera rock alguma vez composta «Bohemian Rhapsody».

Fora a parte técnica, o sua presença é também ela difícil de ser reproduzida. A forma como puxava o público para fazer parte das canções é até hoje uma referência para aspirantes vocalistas. Para muitos a aparição dos Queen no Live Aid em 1985 é ainda a melhor actuação de rock de sempre, com apenas 20 minutos de duração.

«Innuendo», o último disco editado em vida, prenunciava que alguma situação trágica se avizinhava. Músicas como «These are the Days of our Lives» e «The Show Must Go On» ganharam um novo sentido, depois da morte do vocalista e serviram como uma despedida imortalizada em música.

Rainha de si mesmo e com o povo a prestar vassalagem: É assim que Freddie Mercury queria ser recordado. A obra que deixou, juntamente Brian May, Roger Taylor e John Deacon, continua e permanecerá uma referência inter-geracional, quer para o mero ouvinte casual de música, mas também para músicos.

Obrigado por nos fazeres sonhar Freddie Mercury.

Texto: João Pardal