1991 foi um ano um ponto de viragem em termos musicais. Era uma época em que o sucesso de uma banda, dependia e muito da quantidade de cds vendidos (sim esse formato cada vez mais obsoleto).

A última década do século XX ainda mal tinha começado, e já o panorama da música global efervescia vários estilo musicais, que viriam a marcar os anos 1990. O mainstream musical enfrentava um período de estagnação, cimentada pelo cansaço das fórmulas gastas do pop-rock. Existia uma aposta pelo seguro e nada verdadeiramente inovador, que provocasse uma reacção em cadeia.

Escolher cinco músicas é uma tarefa árdua e ingrata, porque existem muitos mais exemplos que espelham a sonoridade dos 1990’s. A selecção é pessoal e reflecte apenas uma pequena amostra das várias “trincheiras musicais” existentes e que viriam a tomar de assalto nos restantes anos futuros.

Come as You Are – Nirvana

Começamos com uma das bandas que para muitos definem os anos 90: os Nirvana. Liderados pelo mítico Kurt Cobain, a banda de Seattle apanhou de surpresa o grande público com a edição de «Nevermind». Hinos como «Come as you are» tornaram as camisas de flanela e as calças rasgadas como imagem de marca para milhões de adolescentes. Os 25 anos do disco foram recordados por três pessoas que viveram o fenómeno “Grunge”.

 Scenario – A Tribe Called Quest

Editado no mesmo dia que «Nevermind», os nova-iorquinos A Tribe Called Quest lançaram um dos discos mais importantes para o Hip-Hop, o «Low End Theory». Num período em que o gangsta rap era dominante, o grupo aprofundou o uso de samples de jazz e R’n’B para construir temas subtis, mas intensos no retrato da realidade social. 2016 marcou o regresso aos discos mas já sem o rapper Phife Dawg, falecido este ano.

 Unfinished Sympathy – Massive Attack

Vindos de Bristol, os britânicos Massive Attack estrearam-se nos discos com «Blue Lines». Apesar de terem sido reconhecidos posteriormente, é inegável ver o impacto do disco nos dias de hoje. Os Massive Attack foram uma das bandas responsáveis pelo surgimento do trip-hop  e gerou um movimento do género musical da cidade inglesa. Continuam a produzir nova música mesmo 25 anos depois e estiveram presentes na última edição do Super Bock Super Rock.

One – U2

Um disco e sobretudo uma música. Foi o que bastou para os U2 serem catapultados para uma posição, onde poucas bandas de rock chegaram. «Achtung Baby!» é um disco experimental, comparando com os trabalhos anteriores, mas foi responsável de fixar, em definitivo, o nome da banda irlandesa como uma das maiores bandas de rock. «One» é uma balada, mas ao mesmo tempo, uma ode de esperança em plena ressaca da destituição da União Soviética.

Não sou o único – Resistência

Em 1991, o conceito de “super-grupo” era algo impensável no panorama português. Até que os músicos de várias bandas como Xutos e Pontapés, Delfins e Madredeus decidiram formar uma banda, que destacasse o melhor da música portuguesa feita até a esse ano. O conjunto de canções resultou no «Palavras ao Vento», um disco acústico dos temas mais marcantes na música portuguesa. Para o grande público, foi o cartão de apresentação de Olavo Bilac, que em 1995 iria editar o primeiro trabalho com os Santos e Pecadores.

Texto: João Pardal