Ser mulher numa banda hardcore? Sim é possível e a prova disso chama-se Inês Menezes. Vocalista dos Nostragamus desde 2014 e no meio musical há 10 anos, Inês confessa que sempre gostou de cantar. “Desde muito pequena que o faço. Eu até cantava em inglês, antes mesmo de aprender a falar a língua estrangeira”, confessa rindo-se.

O nome é um jogo de palavras com Nostradamus, médico francês do século XVI, mais conhecido pela práticas das artes do oculto e das suas profecias catastróficas.

A origem do nome, explica Inês Menezes, veio do antigo vocalista que numa noite de “copos e concertos” na Academia de Linda-a-Velha. “Antigamente partilhava palco com o Diogo Abreu, que, por motivos profissionais, teve de sair da banda. Já andávamos à procura de um nome há algum tempo e ele saiu com este. Foi algo que nos fez sentido, porque tinha uma veia punk”, conta a vocalista.

Sobre ser mulher, num meio predominantemente dominado pelo género masculino, Inês nunca sentiu “inferiorizada ou excluída”. Apesar do estilo gutural que pratica, à semelhança de Angela Gossow (ex-Arch Enemy), a vocalista revela que existe mais curiosidade do público, em relação às letras cantadas na língua de Camões.

Numa sonoridade que funde o punk e o hardcore, os Nostragamus têm vindo a crescer enquanto banda, admite a vocalista. Os Ratos do Porão são uma das principais influências do grupo apesar de a mesma querer afastar-se dos rótulos, para criar uma identidade única.

“O espírito de união tem sido determinante. É como se tratasse de uma segunda família”, sublinha Inês. Para além de cantora, é responsável pela escrita das letras e constata que a decisão de cantar na língua portuguesa é um elemento que ajuda a expor os problemas sociais do país.

A banda da zona de Lisboa é formada actualmente por “Gui” na bateria, Zé Miguel na guitarra, João no baixo e Inês na voz. 2016 foi um ano “bom” em termos de concertos, que tocaram em alguns locais dentro e fora da capital. Num dos concertos, houve oportunidade de gravar um álbum ao vivo intitulado «Profecias no Feijó»

O pontapé de saída para 2017 foi dado com a divulgação do teledisco do tema «Inquisição». Feito com base da máxima “faz tu mesmo” (Do It Yourself), o vídeo foi gravado nos Nirvana Studios, local onde os Nostragamus ensaiam. Todo o processo foi realizado pela própria banda e com a ajuda de amigos pessoais da banda.

O próximo concerto será na segunda edição do LVHC Fest, que irá decorrer no fim de semana de 28 e 29 de Janeiro. Inês Menezes já subiu algumas vezes ao palco da Academia de Linda-a-Velha, inclusive no ano passado quando participou na actuação dos Mordaça. Durante a conversa, Inês não escondeu no rosto, o entusiasmo de querer subir ao palco no próximo domingo.

Com alguns concertos já na agenda, o futuro próximo dos Nostragamus passa em tocar ao vivo e reunir meios para compor o primeiro álbum de originais. “Entre final do ano e início de 2018, mas, primeiro que tudo, tem que haver disponibilidade financeira de todos para o fazer”, salienta a vocalista.

Até à data têm mais dois concertos confirmados, um deles num festival de música, inserida no circuito alternativo. Para estar a par das novidades dos Nostragamus é segui-los no Facebook e no Instagram.

Recordar que o LVHC Fest é já este fim de semana, no 28 e 29 de Janeiro na Academia de Linda-a-Velha. O passe para os dois dias custa 16 euros, enquanto que o bilhete diário tem o preço único de 10 euros.

Para mais informações é consultar o Facebook do festival.

Texto: João Pardal