“I AM IRON MAAAAAAAN!”. Aposto que leram a frase anterior, a imitar a voz robótica do Ozzy Osbourne e alguns de vocês até trautearam, de seguida, o icónico riff da guitarra que acompanha esta canção. Se não o fizeram, é provável que «Iron Man», um dos temas mais icónicos dos Black Sabbath, não vos diga nada. Ou então são pessoas “rijas” com um sentido de controlo fora do comum. Digo isto, porque não cair na tentação de cantar um dos temas mais reconhecidos do heavy metal é algo sobre-humano.

the-end
O Fim dos Black Sabbath? (foto retirada da reportagem do concerto no Rio de Janeiro do rockbizz.com.br)

Feito este pequeno teste, o dia 4 de Fevereiro de 2017 é provável que fique marcado na História do Rock ‘n’ Roll. Isto porque foi a “suposta” última vez que os membros da formação clássica de Black Sabbath subiram ao palco. Aconteceu em Birmingham, cidade natal do grupo britânico, perante uma sala esgotada com milhares de fãs de todo o mundo, a entoar hinos como «Paranoid», «War Pigs» ou «Sabbath Bloody Sabbath».

Desde 2012, que os “pais do Heavy Metal” estão a preparar esta despedida. Depois de uns concertos de reunião, a banda lançou «13» no ano seguinte. O disco marcou o regresso às gravações do trio Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler e consequentemente às grandes digressões mundiais.

Infelizmente os fãs da banda não conseguiram a reunião completa, pois a bateria que se ouve em «13» foi tocaada por Brad Wilk (ex-Rage Against the Machine). Em digressão, o quarteto britânico ficaria completo com Tommy Clufetos, mais conhecido por ser baterista da banda “a solo” de Ozzy.

Digo “suposta” com as aspas devidamente assinaladas, porque esta não foi a primeira despedida dos Black Sabbath. A primeira aconteceu em 1999, na mesma cidade, mas com Bill Ward, o baterista original da banda, culminando assim o “comeback” que durava desde 1997. Houve também outros concertos esporádicos em 2004 e 2005 no Ozzfest.

Mas, afinal de contas, o que significa esta despedida? Será aquela manobra publicitária enganosa que bandas veteranas do Hard Rock costumam adoptar. Perguntem aos Scorpions que são especialistas nesta matéria ou até mesmo ao Ozzy Osborne, que, durante a sua carreira a solo, ia supostamente reformar-se no início dos anos 1990 depois do final da digressão do disco «No More Tears».

Olhando para trás, foram cinco anos de concertos, que envolveram muitos decibéis e também  uma corrida contra a própria a vida. Isto porque o guitarrista Tony Iommi foi diagnosticado um linfoma em 2012, o que levou ao cancelamento de duas aparições em festivais, levando a querer que o pior estava para vir.

Apesar deste mau presságio, Iommi enfrentou a doença com toda a coragem e conseguiu aparentemente vencer a morte. Em comunicado no site oficial em Agosto do ano passado, o guitarrista anunciou que o cancro estava praticamente curado.

Mas qual a importância desta banda? Os Black Sabbath são apontados como sendo os fundadores do heavy metal e a sua influência foi crucial numa geração de bandas que surgiriam em décadas seguintes. Desde os Metallica, PanteraFaith No More, Soundgarden ou Type O Negative, a lista é quase infinita. Praticamente todas as bandas do espectro “hard” e “heavy” que ouvimos, começaram porque foram enfeitiçados pelos acordes de «Paranoid».

Os Black Sabbath começaram em 1968 e quase 50 anos depois continuam um “monstro”. Mesmo com as inúmeras encarnações da banda com diferentes elementos, mas sempre com Tony Iommi na guitarra, é indubitável perceber que gerações mais novas (como a minha) não voltarão a ver uma banda como esta.

Em todos esses anos, a banda nunca atuou em Portugal, o que é verdadeiramente gritante para um nome universal como é Black Sabbath. Os britânicos chegaram a ter uma data dupla marcada no Pavilhão Dramático de Cascais, mas que nunca chegou a concretizar-se.

No século XXI, a encarnação Heaven & Hell (não confundir com o disco do mesmo nome), com o Ronnie James Dio na voz chegou a ser anunciada na edição de Optimus Alive em 2010. No entanto, também foi cancelada devido ao detrimento do estado de saúde de Dio, que acabaria por falecer no mesmo ano.

Caso esta “despedida” seja sincera, resta apenas resta apenas ouvir os discos e encontrar uma gravação “amadora” no Youtube dos últimos concertos para tentar recriar o ambiente em estar numa plateia repleta de fãs de Sabbath.

Indepentemente do futuro que os reserva, é inegável que um grupo de rapazes vindos duma cidade industrial britânica conseguiu conquistar o mundo, com a sua música. Só por esse facto merecem (pelo menos) vénias. Muitas Vénias!

Texto: João Pardal