Esgotadíssimo. É desta forma que se define o 11º festival do NOS Alive. Ao todo serão mais de 160 mil pessoas que passarão pelo Passeio Marítimo de Algés. Entre palcos, a oferta de bandas é muita e adequa-se a todos os gostos.

Foi à última da hora que consegui acesso ao Alive e logo ao dia que mais interessava. Os Foo Fighters, liderados pelo carismático Dave Grohl, são uma das bandas que tinha mais curiosidade em ver. Não é que seja um conhecedor da vasta discografia do grupo formado das cinzas dos Nirvana, mas a verdade é que nos últimos 20 anos afirmaram-se como sendo uma das maiores bandas de rock norte-americano.

Dave Grohl, músico na verdadeira acepção da palavra, é também considerado por muitos como o “tipo mais porreiro do rock n’ roll”. Para além de ser dono um talento incomensurável, Grohl é um verdadeiro “workaholic”, demonstrado pelos incansáveis concertos que a sua banda costuma proporcionar. Nesse sentido, a atuação do cabeça de cartaz do segundo dia do festival estava com as expectativas no máximo perante um Passeio Marítimo de Algés lotado.

Depois de quase duas horas e meia de concerto dos Foo Fighters, o que posso escrever sobre o mesmo numa única frase? Provavelmente foi um dos melhores concertos que assisti em 11 anos enquanto espetador.

“Lá está este tipo a exagerar. Não percebe grande coisa de música e lá por ter estado num dos maiores festivais portugueses com uma banda altamente popular pensa logo que é a melhor coisa que presenciou” pensarão os maldizentes.

Não estou a exagerar. Posso dizer que sou um felizardo no que toca ao facto de ter presenciado muitos concertos dos mais diferentes géneros musicais. Mas são poucos que roçam o perfeito.

A boa disposição da banda, a postura do público, a setlist e a duração do concerto são todos elementos que bateram certo e marcaram pela postiva a atuação dos Foo Fighters no Alive.

À medida que a atuação avança, pude constatar que Dave Grohl é um verdadeiro rei. Um animal de palco imparável, que canta, corre em palco e também manda alguns dos berros mais impressionantes que tive oportunidade de presenciar.

«All My Life», «Times Like These», «Learn to Fly», «Something From Nothing» e «The Pretender»: foram os primeiros 20 minutos do mais luxuoso rock contemporâneo. Single atrás de single que contagiou os 55 mil espetadores que estavam em Algés.

O coro durante o tema «Best of You», responsável por ter deixado a maior parte da multidão rouca, é capaz de ser um dos momentos mais arrepiantes de todo o concerto.

Depois de «Monkey Wrench», o público convenceu Dave Grohl a saltar ao som de “e salta Dave e salta Dave olé olé” ao mesmo tempo que o resto da banda improvisava uma música no momento. Seguiu-se o cântico futebolístico da praxe “Campeões. Campeões. Nós somos Campeões” e não podia faltar a música do Euro 2016 que inclui o Éder.

Confrontado com o êxito do ano passado, Grohl reconhece que não é propriamente um single. “Eu tenho de vender discos”, admite o músico com um tom de voz irónico.

Portugal precisou de seis anos para que o grupo norte-americano regressasse ao local onde já foi feliz. Diz-se que não se deve fazê-lo, mas no caso de Dave Grohl e os “seus” Foo Fighters, podem-no pois são realeza do rock. Pede-se que o próximo concerto não demore tanto tempo para se acontecer.

Crónica: João Pardal