Chester Bennington dos Linkin Park decidiu terminar com a sua vida. Nunca pensei de escrever esta frase durante a minha existência. Isto porque a ideia já vinha desde os tempos do liceu. Havia um “engraçadinho” na escola que espalhava o rumor que o vocalista tinha morrido.

Era acidente de automóvel, drogas e até mesmo um suicídio, mas sempre que circulava essa história acontecia exactamente a mesma reação: “Ah! Isso é mentira. O gajo está vivo. Pára de ser atrasado mental”.

Provavelmente seria para ganhar atenção dos seus colegas ou então, simplesmente, porque era idiota. Isto acontecia porque os Linkin Park eram uma das bandas mais populares durante esse tempo e não havia ninguém que não conhecesse temas como «In The End», «Crawling» ou «Points of Authority».

Havia, pelo menos, uma pessoa em cada turma que tinha uma cópia dos álbuns «Hybrid Theory» ou «Meteora», que rodavam constantemente nos leitores de cds. Eu era uma delas.

Lançados no início da década de 2000, os discos fizeram parte de uma geração de jovens, que agora estão na casa dos 20 e até 30 e poucos.

Mais do que “música da pesada”, os Linkin Park representaram, para muitos, a porta de entrada para o heavy metal, para o hip-hop ou até mesmo para a música electrónica, tendo em conta que o grupo norte-americano fundia os diferentes géneros musicais.

Sem querer ser muito exaustivo sobre o historial da banda, apenas relato um episódio que envolveu a música de Chester Bennington e uma disciplina “chatíssima” de Formação Cívica:

Estava no 8ºano. O professor decidiu que a finalidade da aula da semana seguinte seria traduzir uma letra de uma canção que nós gostássemos. Era à nossa escolha e apenas teríamos que trazer a letra numa folha de papel.

Claro que praticamente ninguém teve paciência de o fazer. Até que, no próprio dia, durante a hora de almoço, lembrei-me que o cd que tenho dos Linkin Park continha as letras no livreto.

“Epá assim desenrasco-me e ainda por cima é de um grupo que toda a turma gosta, o pessoal vai achar piada ao desafio”, pensou a minha pessoa com 13 anos.

Vou a casa. Meto o livreto dentro da mochila. Aproveito a ocasião e insiro o cd no meu discman para ouvir durante o caminho porque assim sempre oiço mais uma vez, o álbum que nunca cansava de escutar.

Para terem uma noção, o single «Numb», provavelmente o maior êxito do grupo, estava constantemente a passar nas rádios. Foi uma epidemia semelhante ao «Despacito». Em cada hora, ouvia-se a música umas 50 vezes (Pronto. 50 talvez seja exagero, mas umas cinco vezes já é mais plausível).

Já dentro da sala de aula, o professor questionou se alguém tinha feito o pedido da semana passada. O vosso estimado protagonista levantou o braço e, de seguida, mostrou o livreto do álbum. “Podemos traduzir o ‘Breaking the Habit’ dos Linkin Park”, respondi.

Missão cumprida. Apesar de a turma não manifestar o mesmo entusiasmo, posso dizer agora, passados estes anos todos, que as letras de Chester Bennington “safaram” um aluno e ajudaram-no a fazer boa figura nessa aula.

Valeu a pena? Nem por isso, porque, sinceramente, era uma disciplina apenas para “encher choriços” inserida no horário escolar. Mas fez com que um jovem “olhasse” mais a fundo das letras de uma das bandas que foi crucial durante a fase de descoberta musical.

Só por isso acho que valeu um “bocadinho” a pena.

Independemente onde estejas, só quero agradecer-te Chester Bennington por teres mostrado a milhares de jovens que “sofrer” faz parte do crescimento de qualquer adolescente. Eu fui um deles. Obrigado.

 

Crónica: João Pardal