A semana começou com uma notícia “bombástica” para os fãs de heavy metal portugueses: Ozzy Osbourne no Altice Arena. (Epá ainda me custa escrever esta nova designação da ex-Meo Arena e ex-ex-Pavilhão Atlântico).

Melhor que isto? Os igualmente lendários Judas Priest estão encarregues de fazer a primeira parte do espetáculo que integra a digressão de despedida de Osbourne. Nunca a expressão “cereja no topo do bolo” fez tanto sentido.

Sim leram bem. O “Senhor da Escuridão” (ou Lord of Darkness), o vocalista original dos Black Sabbath, a antiga estrela do reality show “The Osbournes” (Alguém ainda se lembra disto?) vem a Portugal, naquela que será a primeira vez em 50 anos de carreira!

Já se aperceberam que estou, de facto, empolgado com a vinda desta figura à Altice Arena em 2018. Mas porque demorou tanto tempo para Ozzy Osbourne vir ao nosso país? Sinceramente não sei responder bem a esta pergunta, mas posso dizer-vos que a voz de «Paranoid» já teve concerto marcado em terras lusas mas nunca chegou a ser concretizado.

Neste artigo vou fazer um apanhado geral das duas ocasiões que Ozzy Osbourne era para ter vindo a Portugal mas, por uma razão ou outra, acabou por cancelar.

Pavilhão Dramático de Cascais em 1973

Mesmo com a informação abundante que circula pela Internet, não há razões claras que justifiquem o cancelamento de uma passagem agendada dos Black Sabbath no Pavilhão Dramático de Cascais.

Para além do mais, seria uma data dupla marcadas para 27 e 28 de abril de 1973. À época, os Sabbath promoviam o álbum «Volume 4», editado no ano anterior. Continha a balada «Changes», uma canção com sucesso sem precedentes para os britânicos. No final desse ano, iriam editar «Sabbath Bloody Sabbath», um dos álbuns mais apreciados por parte dos fãs.

Segundo a Blitz, o cancelamento foi referido pelo jornal Expresso. Numa página de fãs dos Black Sabbath, a inclusão de Portugal é referida, mas como sendo parte do (espanto dos espantos) Cascais Jazz Festival. Conseguem imaginar Ozzy Osbourne a participar num festival de jazz?!?

Festival Ozzfest no Estádio do Restelo em 2002

Quase 30 anos depois da primeira “tentativa”, Ozzy Osbourne anunciou a sua vinda na primeira e única edição portuguesa do Ozzfest. Com o palco montado no Estádio do Restelo em Lisboa, o cartaz incluía Slayer, Tool, os Drowning Pool (sim, os “one hit wonders” de «Let the Bodies Hit the Floor»), os portugueses Ramp entre outras bandas de “nu-metal”. Ozzy encabeçava o evento e trazia consigo «Down to Earth», o oitavo disco da carreira e mais de uma mão cheia de êxitos.

Acontece que, à última da hora, o “tio” Ozzy foi convidado para atuar nas comemorações do Jubileu de Ouro da Rainha Isabel II. Mais uma vez, deixou os fãs portugueses pendurados. Andreia Criner da promotora “Música do Coração”, na altura entrevistada no magazine televisivo “Curto Circuito”, esclareceu que os espetadores podiam restituir o dinheiro do bilhete, caso sentissem “defraudados” com a situação.

De acordo com o jornal Público, os bilhetes custavam 30 euros na plateia em pé e bancada norte. Para a bancada central, o preço do ingresso era de 40 euros.

No clip do Curto Circuito, disponível no Youtube, António Freitas chega mesmo a referir que existia a possibilidade de Ozzy Osbourne compensar a sua ausência trazendo os “seus” Black Sabbath num concerto no Pavilhão Atlântico. Promessa da qual não viria a ser cumprida. Nem Ozzy a solo nem Sabbath. Mais uma vez, o público português fica de mãos a abanar.

Menção honrosa – Heaven and Hell no Optimus Alive em 2010

Apesar de não contar para este “campeonato” (mas digno de ser mencionado) os Black Sabbath sem Ozzy Osbourne estavam previstos de subir ao palco principal na edição de 2010 do festival de Algés.

Chamada Heaven & Hell por motivos legais, a banda com o vocalista Dio cancelou a presença no festival Alive dois meses antes do evento iniciar. O grupo iria dividir o palco com os norte-americanos Alice in Chains e Faith no More.

Na altura, o vocalista já indiciava problemas de saúde, que, infelizmente, resultaria na sua morte precoce no ano seguinte, devido a um cancro no estômago. O grupo chegou a constar em cartazes publicitários alusivos ao festival. Coube aos portugueses Moonspell preencherem a desistência dos Heaven & Hell.

optimus alive 2010
No dia 8, Heaven & Hell constava no (ainda por finalizar) alinhamento do cartaz [Fonte da imagem aqui]

Será que 2018 vai pôr fim ao jejum dos fãs portugueses de Ozzy Osbourne? Costuma-se dizer que “à terceira é de vez”.

É esperar até dia 2 de julho de 2018. Até lá… é ensaiar para termos as vozes afinadas para cantarmos em plenos pulmões: “I AM IRONNNNNNNNN MANNNNNNNNN”.

Crónica: João Pardal