O anúncio foi oficializado esta manhã: Nine Inch Nails encabeça o primeiro dia do Nos Alive. Após anos de especulação e de pensamentos do tipo “será desta?”, a banda de Trent Reznor sobe ao palco principal no dia 12 de julho

Depois de Queens of the Stone Age, Pearl Jam, Alice in Chains e agora Nine Inch Nails, o Passeio Marítimo de Algés será o ponto de encontro para que o público português possa presenciar atuações de alguns dos grupos de rock mais influentes das últimas duas décadas.

Mas porquê tanto entusiasmo, perguntam vocês? Posso dizer que comecei a acompanhar mais de perto a carreira de Trent Reznor em 2008 e, lentamente, fui-me tornando num pequeno “acólito” do trabalho deste músico. Aqui estão cinco motivos:

1) Trent Reznor – “O homem dos 7 ofícios”

Escrever sobre Nine Inch Nails é praticamente escrever sobre Trent Reznor. Com 52 anos, o músico foi a mente por detrás do projeto no final dos anos 1980. É o homem responsável pelos discos «The Downward Spiral» e do álbum duplo «The Fragile», monumentos da música alternativa da década de 1990.

Foi também uma peça fundamental no início da carreira de Marilyn Manson e mais tarde do rapper Saul Williams. Das várias relações na indústria, destaca-se a de David Bowie. Chegaram mesmo a partilhar palcos juntos. Também colaborou com Josh Homme e Dave Grohl no documentário Sound City.

Na sétima arte, Reznor tornou-se num respeitado compositor de bandas-sonoras. Filmes como «The Girl with The Dragon Tattoo», «Gone», «Before The Flood» ou «Patriots Day» têm todos o seu toque. Em 2011, chegou mesmo a vencer o Óscar de melhor banda-sonora com a longa-metragem «Social Network».

2) Atticus Ross faz parte “oficialmente” dos Nine Inch Nails

Pode ser um pequeno detalhe, mas é um que faz toda a diferença. Em 2016, Atticus Ross passa a ser um membro oficial dos Nine Inch Nails. Antes, Trent Reznor era o único membro. Apesar de continuar a ter uma banda ao vivo que o acompanha nos concertos, será a primeira vez que o público português vai assistir enquanto duo “oficial”.

A relação com vinte anos começou no projeto paralelo Tapeworm com o Maynard James Keenan dos Tool. Depois foi solidificada no grupo How To Destroy Angels e também enquanto parceiro na composição das bandas-sonoras cinematográficas.

Pode-se dizer que é o “braço direito” do Trent Reznor e será curioso ver como serão as dinâmicas presencialmente no Passeio Marítimo de Algés.

3) Têm um repertório vasto

De «Pretty Hate Machine» até «Add Violence» vão 28 anos de música editada com o selo Nine Inch Nails. Entre longa-durações, EPs e discos ao vivo, a banda tem temas para todos os gostos. Canções instrumentais, músicas com guitarras repletas de distorção ou com samples em loop, o repertório é diversificado e tanto agrada fãs do género electrónica ou dos espectros mais alternativos.

À semelhança dos Radiohead, um alinhamento de um concerto dos Nine Inch Nails nunca irá agradar a totalidade dos fãs a assistir. O facto de estarem ausentes em palcos nacionais desde 2009 (ano em que atuaram no festival Paredes de Coura) torna o concerto uma verdadeira “caixinha de surpresas”.

4) São “animais de palco”

Ouvir Nine Inch Nails é uma coisa, outra é experienciar um concerto desta banda ao vivo. A estreia em palcos nacionais aconteceu em 2007 e logo em dose tripla no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Dois anos depois, Paredes de Coura acolheu o regresso de Trent Reznor e companhia.

Apesar de nunca ter estado presente nestes espetáculos, o Youtube conseguiu colmatar essa falha com várias gravações ao vivo. Desde o infame Woodstock de 1994 até ao Festival Fuji Rocks em 2013, podemos constatar que a performance permaneceu praticamente intacta.

É claro que Trent Reznor está mais velho e menos dependente de drogas, mas isso não foi impedimento para amadurecer em termos musicais. A banda, cuja formação foi diversa ao longo dos anos, dá um contributo importante para a concretização da visão de Reznor.

5) Mesmo que não seja conhecedor da banda, será um marco no festival

A música dos Nine Inch Nails não é para todos os gostos. É um facto. Ninguém o pode negar. Não são capazes de rivalizar uns carismáticos Pearl Jam ou o fenómeno indie chamado The National.

Ao contrário destes, o grupo norte-americano não tem sido presença recorrente em eventos portugueses. Basta uma mão para resumir o número de concertos em solo nacional.

Não tenho dúvidas que os Pearl Jam conquistarão a prémio de “melhor” concerto do festival para a maioria dos espetadores mas os Nine Inch Nails vai ser a preferência de uma “imensa minoria” (a quem perceber esta referência, és o/a maior!).

Texto: João Pardal