O que está no meio da ciência? É uma questão que parece ser retirada de um livro sobre filosofia. Na verdade este foi o ponto de partida do início da conversa que tive com Nuno Lobão, baixista do coletivo portuense Before and After Science. [BAAS]

Depois de ter presenciado um concerto no Sabotage Club, surgiu a oportunidade de marcar uma pequena entrevista para conhecer o percurso desta banda. São vulgarmente catalogados como Post Rock, mas o músico esclarece que a etiqueta serve apenas como cartão de visita para tenter perceber a sonoridade do projeto.

“[Na nossa música] não tens uma componente lírica nem um conceito definido.É tudo muito mais expansivo e de certo modo, isso está sempre aberto às interpretações pessoais”, começa por explicar. Por telefone, Nuno Lobão refere que a composição centra-se em pegar em frases musicais desordenadas, com o intuito de estabelecer uma pequena viagem para o ouvinte.

O nome da banda é retirado do título que Brian Eno deu ao seu quinto álbum de originais. As raízes dos BAAS remontam para Lamego no ano de 2009. Na altura, sob a forma de trio, o projeto nasceu da vontade de três amigos de liceu. Apenas Nuno Lobão resta dessa formação.

Após várias alterações, a banda fixou-se no Porto enquanto quarteto e com duas guitarras. As entradas e saídas de elementos não se devem a conflitos, garante Nuno Lobão. “São apenas mudanças de prioridades. Não houve qualquer atrito”.

Em 2013, gravam o EP «Vital Signs of a Fallen World” nos Estúdios Sá da Bandeira no Porto com o produtor Cláudio Tavares e é o primeiro passo para consumar a posição dos BAAS no mercado underground do Post Metal.

Mas afinal de contas como se define este género musical? Qual a ligação do nome da banda com o tipo de sonoridade que praticam? Nuno Lobão dissipa quaisquer dúvidas que possam ter.

Em 2015, entre ensaios e concertos ao vivo, a banda portuense decide então avançar para a composição do primeiro álbum de estúdio. De forma a acarretar os custos que a edição de um disco implica, os BAAS decidem lançar uma campanha de crowdfunding no ano seguinte.

Terminou no dia 29 de abril de 2016, tendo superado o valor pedido. “Quando estavamos a planear se iríamos fazer ou não, estávamos de longe imaginar que, de facto, seríamos bem sucedidos, porque sempre havia o risco de não se concretizar”, confessa o músico. No entanto, não tinham nada a perder, uma vez que “caso valor proposto não fosse atingido os apoiantes reaviam o seu dinheiro, por isso arriscamos”, complementa.

«Relics and Cycles», o nome do longa-duração, foi lançado em setembro do ano passado através da Shunu Records, uma editora sueca e é novamente produzido por Claúdio Tavares. “Não foi uma coisa pré-determinada, mas apercebemos que, de facto, era a melhor escolha para o disco”, complementa Nuno.

O disco tem sido bem recebido, tanto pelo grande público, mas também pela imprensa especializada. “Ficamos extremamente gratos [pelas reacções positivas] e é todo um input para fazer mais coisas”, assegura Nuno Lobão.

E quais são os planos para 2018? Para além de ser um ano de divulgação deste trabalho, o músico assume o desejo de começar a pensar no sucessor do recém lançado disco.

Mas até lá, podem acompanhar o percurso desta banda no Facebook e no Bandcamp para estarem a par das novidades.

Atualmente os BAAS são constituídos por Bruno Barreira, Nuno Lobão, Pedro Campos e Ricardo Baptista.
Texto: João Pardal