Agarrado a uma caneca com chá de cidreira, enquanto analiso peças noticiosas: tem sido este o meu quotidiano nos últimos dias. Claro que tenho dormido e feito outras coisas. Para além do mais tenho que pensar também sobre outros assuntos, como arranjar temas para escrever aqui no blog.

Enquanto penso sobre o possível assunto do artigo desta semana, começo a perceber que já estamos à porta de mais uma época carnavelesca. A única altura do ano em que podemos chamar palhaço a um desconhecido mascarado como tal e rirmos com a situação.

Afinal é Carnaval e ninguém leva a mal

Tenho raízes familiares que me remontam a Torres Vedras, um dos locais onde esta época é celebrado de forma efusiva e onde se popularizou os homens vestidos de mulher, conhecidos como Matrafonas. A cor, a alegria, as fantasias, a imaginação, a boa disposição (e alguns copos a mais) são todos elementos que transformam a cidade num dos principais sítios para se estar durante os dias de festejos carnavlescos.

Mas para mim, mais do que os fatos, não há melhor coisa que me faz sentir que estou, de facto, no Carnaval do que a música brasileira. Durante cinco noites, Torres Vedras torna-se no verdadeiro epicentro da folia, onde o objetivo é divertir, dançar e apreciar o empenho que alguns se dedicam em mascarar-se.

Mas, estranhamente, é a música que se ouve pelas ruas desta cidade localizada na zona oeste de Portugal, que abrilhanta as festividades. Apesar de “beber” muito das origens brasileiras, a música não é exceção e, para mim, representa o condimento essencial para uma noite carnavalesca.

Todos podemos ter gostos diferentes e visões distintas sobre o mundo, mas quando ouvimos o «Milla» do Netinho, «Vai Sacudir Vai Abalar» da Banda Cheiro de Amor, «Perêre» de Ivete Sangalo, «Beleza Rara» da Banda Eva ou «É Carnaval» da Daniela Mercury é praticamente impossível manter “o pé no chão”.

Isto são apenas algumas das músicas que são intemporais e indispensáveis em cada serão de Carnaval. É verdade que só oiço estas músicas durante o mês de fevereiro, mas estas têm um efeito catártico sobre mim e fazem com que deseje que o sentimento carnavalesco seja uma constante nos outros 11 meses do ano.

Não há tempo para discutir se gostamos mais de Metallica ou Guns n’ Roses, os Mamonas Assassinas ganham a competição em Torres Vedras. O jazz não é aqui chamado e o indie rock nem sequer é convocado. O samba vence sem margem para dúvidas.

Todos os anos há sempre uma música que entra na lista, devido à popularidade (calculo o «Despacito» vai ser uma constante neste ano), mas o «Olha a onda» e a «Bomba» do King Africa persistem no tempo e mantêm o seu lugar na playlist.

Há também espaço para temas para chamar a criança que está dentro de nós. O genérico do Dartacão ou do Dragon Ball GT são dois que põem uma plateia inteira a cantar em plenos pulmões nas mais diversas praças no centro de Torres Vedras e geralmente servem para encerrar a pista de dança.

Para quem ainda não está convencido da folia que se vive no Carnaval de Torres Vedras , venho convidar-vos a passar por lá. Só exigo três condições: venham mascarados (mas bem agasalhados porque aqui faz frio de tremer o dente), “treinem” os vossos passos de dança e, por fim e não menos importante, tragam boa disposição.

O convite está feito. Vemo-nos por lá?

Texto: João Pardal

Foto: Dance Poise  / Logótipo Carnaval de Torres Vedras DR