Os Smashing Pumpkins anunciaram oficialmente o regresso há muito esperado. As “abóboras” vão voltar à estrada com a formação original que gravou «Siamase Dream» e «Mellon Collie and the Infinite Sadness». A baixista D’arcy Wretzky não fará parte desta reunião, sendo que será substituída por Jeff Schroeder.

No entanto, nos dias que precederam ao anúncio, a ocasião foi um pouco manchada pela alegada divulgação das mensagens entre a antiga baixista e Billy Corgan em âmbito das negociações para o regresso de D’arcy ao grupo norte-americano.

A coisa tornou-se feia e veio a comprovar que o vocalista Billy Corgan tem síndrome de vedeta “à lá” Axl Rose (algo que já era um pouco de conhecimento público) e por isso pouco me surpreendeu a postura de ambos nesta “polémica”.

Enfim não quero alimentar mais este assunto e por isso vou focar no assunto deste artigo: a minha relação com a música dos norte-americanos.

Tudo começou na rádio

Deixem-me contextualizar primeiro: Os Smashing Pumpkins são uma das mais bem-sucedidas bandas “alternativas” dos anos 1990. Temas como «Today», «Cherub Rock», «Tonight Tonight» e «Zero» foram responsáveis de colocar o grupo de Billy Corgan nas bocas do mundo e também no lugares cimeiros das tabelas de vendas.

Os meus irmãos não eram fãs desta banda, mas tenho ideia de ouvir na rádio do carro o single «1979» e ter ficado com pele de galinha sem saber porquê. Aquela bateria e aquela riff de guitarra conjugados fizeram com que ficasse interessado naquele som que saía das colunas de som. Parecia que já tinha ouvido aquilo em qualquer lado mas não conseguia explicar. Afinal de contas era miúdo. Deveria ter uns 12 anos.

“Ó Ana, sabes que música é esta?”, pergunto de forma inocente. “São os Smashing Pumpkins”, esclarece a minha irmã. A partir dessa altura, a minha mente abriu a porta para receber a nova banda.

Os anos passaram e a pouco e pouco vou descobrindo os álbuns «Siamese Dream», «Mellon Collie and the Infinite Sadness», «Adore» e «Machina/The Machines of God». A música vai sendo digerida lentamente e começo a perceber que estou a tornar fã da grupo norte-americano vindo de Chicago.

Em 2007, chega um novo disco das renovadas abóboras e são cabeças de cartaz no primeiro edição do Alive (na altura Oeiras Alive). Não fui vê-los, porque Linkin Park e Pearl Jam eram prioridade, mas despertou-me o interesse em descobrir o trabalho com uma formação completamente distinta à dos anos 1990 (só o vocalista e o baterista tinham “sobrevivido” a esta renovação).

«Zeitgeist» é o nome desse álbum e, apesar de não ser um disco tão memorável como os primeiros, é responsável por trazer-me ao “clã” das abóboras. É um disco injustiçado por não ter os elementos da formação clássica mas acho que tem algumas músicas bastante interessante. Recomendo «Doomsday Clock», «Tarantula» e «That’s the way my Love is».

Rock in Rio: A experiência que jamais esquecerei

Dia 26 de maio de 2012: é a data em que presenciei o melhor dia de festival em solo português. Vejam o alinhamento do palco principal festival Rock In Rio nesse dia. Linkin Park, Limp Bizkit, The Offspring e Smashing Pumpkins.

Estão presentes algumas das bandas que marcaram diferentes gerações. É um daqueles casos que o preço do bilhete vale cada cêntimo. Apesar de já não seguir as outras três bandas com a atenção de um fã, os Smashing Pumpkins eram a cereja no topo do bolo e representaram o principal motivo para adquirir o ingresso.

Limp Bizkit e Offspring eram bandas que tinha curiosidade em presenciar um concerto e Linkin Park seria um bónus, porque já os tinha visto no Alive. Acontece que na primeira atuação do dia, correspondeu à dos Limp Bizkit de Fred Durst e companhia.

Caso para dizer que a loucura instalou-se no Parque da Bela Vista. Ainda não era noite mas o mosh, os empurrões e muitos saltos eram o cenário principal da plateia. Parecia que estava no início dos anos 2000 em que os Limp Bizkit eram reis e senhores da música mainstream.

Já tinha presenciado concertos da “pesada” e por isso sabia dos perigos e da atenção redobrada que deveria ter para poder usufruir ao máximo deste concerto. Acontece que há um imprevisto: durante «Take a Look Around» (a música do Missão Impossível), os meus óculos projetam-se para o ar, devido a um salto que fiz a partir do chão. Resultado? Fiquei com os óculos esmigalhados.

Por sorte ou por milagre, encontrei partes do óculo no meio do chão (graças à preciosa ajuda de um rapaz que se apercebeu da minha aflição) e consegui recuperar as duas lentes intactas. Fiquei com a armação amolgada mas uma das lentes estava ainda na posição original.

Acham que fui embora do festival? Pensem outra vez: Vi os restantes concertos com um dos olhos tapados e o outro com uma lente. É talvez a coisa mais surreal que já me aconteceu em contexto festivaleiro, mas não era por um par de óculos que iria-me impedir de apreciar os concertos que faltavam presenciar.

Continuando: Os Linkin Park eram os cabeça de cartaz, mas como tinham concerto no dia seguinte em Madrid, a organização pediu que os Smashing Pumpkins trocassem, à última da hora, o horário das atuações.

Quando soube disto, fiquei em êxtase completo. A banda que queria mais ver iria encerrar o festival, o que significaria estaria mais “à vontade”. Mal Linkin Park termina o concerto, a plateia começou a dispersar-se. Fiquei em choque, porque pensava que  ficariam para ver a última banda.

Estando numa zona mais dianteira do palco começo a perceber que consigo “furar” para estar o mais perto da grade possível. Consigo fazê-lo e fico junto de um grupo de jovens, que estariam nos seus 15/16 anos de idade.

Tinham uma bandeira que dizia qualquer coisa do género: “Billy, tonight tonight, give me your pick”. Fiquei surpreendido pela dedicação por parte destes jovens.

O concerto superou as expectativas. Mais uma vez, a formação das “Abóboras” é distinta daquela que se apresentou no Alive (no RIR, tinham Mike Byrne, baterista com apenas 19 anos) e fizeram um alinhamento em regime “best of” com os êxitos que queria ouvir (e que agora raramente tocam num só concerto). Incluíram algumas “raridades” como «The Beginning Is The End is The Beginning», «X.Y.U» e até uma versão de «Space Oddity» de David Bowie.

Lá para o final da atuação, esse grupo de jovens tentou esticar o pano para que Billy Corgan visse o cartaz que tinham feito. No entanto estavam com dificuldades. Como estava junto deles, dei-lhes (literalmente) uma mãozinha e o cartaz foi lido pelo próprio, que até (espanto dos espantos) esboçou um curto sorriso.

Enquanto despedia-se do público, o vocalista pediu ao segurança para distribuir várias palhetas ao grupo de jovens com a bandeira. Conseguem concretizar o seu objetivo e enquanto preparava-me para ir embora, um deles toca no meu ombro e diz: “Esta é para ti. Obrigado pela ajuda”.

Fiquei sem palavras para tal generosidade. Agradeci o gesto e ainda fiquei na conversa durante alguns minutos. Não trocámos contactos mas é uma experiência que jamais irei esquecer. Como prova desta história, partilho com vocês uma fotografia da palheta em questão:

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Texto: João Pardal / Fotografia: DIY Magazine