Para a maior parte dos fãs, Ozzy Osbourne é a cara dos Black Sabbath. Há também uma pequena parte que considera que Ronnie James Dio foi responsável de dar uma segunda vida ao grupo britânico e que, por vezes, é um pouco esquecida pelo grande público.

Mas no artigo desta semana, trago-vos, para mim, a peça fundamental deste grupo. Sem ele, Black Sabbath não seria recordado pelos riffs de guitarra. Estou a falar de nada mais nada menos que o senhor Tony Iommi.

Nesta semana, o britânico chegou completou os 70 anos de idade e mais de metade da sua vida foi passada enquanto membro dos Black Sabbath. Por isso, apresento-vos cinco factos, que talvez não saibas sobre um dos pilares que fundou toda a estética a que hoje chamamos de heavy metal.

1) Ele teve um acidente laboral na mão

Com apenas 17 anos, Tony Iommi estava prestes a terminar o último dia do seu emprego numa fábrica industrial em Birmingham quando sofreu um duro acidente. Perdeu as pontas de dois dedos (o anelar e o do meio) da mão direita.

O diagnóstico não foi nada animador. O médico disse ao aspirante músico que dificilmente conseguiria tocar guitarra novamente. No entanto, o seu patrão na fábrica motivou o jovem Iommi para não desistir. Para convencê-lo, mostrou um álbum do guitarrista de jazz Django Reinhardt que só tinha dois dedos e mesmo assim tornou-se num dos mais respeitados guitarristas nesse género musical. O resto é História.

Apenas digo: Obrigado antigo patrão do Tony Iommi! Se não fosses tu, não teríamos uma catrefada de músicas espetaculares para disfrutar: «Paranoid», «War Pigs», «Sabbath Bloody Sabbath», «Snowblind», «N.I.B», «Neon Knights». Enfim podia estar aqui durante horas.

2) Fez parte dos Jethro Tull

É conhecido que Tony Iommi formou os Earth, a banda que precedeu os Black Sabbath. Mas em 1968, um ano antes da estreia do longa-duração homónimo, Tony Iommi fez parte dos Jethro Tull, uma banda de rock progressivo.

Mas foi, como se costuma dizer, “sol de pouca dura”. Não gravou nada com este grupo britânico, tendo aparecido apenas em duas atuações televisivas.  Depois lá voou de volta para os Black Sabbath.

De acordo com declarações feitas na sua auto-biografia, o facto de ter integrado os Jethro Tull fez com que Tony Iommi apercebesse da importância que os ensaios têm num projeto musical.

3) É o único elemento constante dos Black Sabbath

Os Black Sabbath já tiveram “mil e uma” formações. Tiveram o tio Ozzy na voz. Depois veio a fase com o Ronnie James Dio que pertencia aos Rainbow. Poucos anos depois, Ian Gillian dos Deep Purple chegou a integrar o quarteto Sabbath. Tony Martin também gravou com eles.

É uma grande “salganhada” de entrada e saída de músicos nos Black Sabbath e, volto a reforçar, que só estou a focar nos vocalistas porque se incluísse os outros músicos estavámos aqui até amanhã.

No entanto, o único elemento comum e que une as várias metamorfoses que o grupo sofreu, foi Tony Iommi. Nesse aspeto agradeço-te, porque, nós enquanto fãs, tivemos oportunidade de ouvir vários espectros de Black Sabbath graças a estas mudanças.

4) É o “rei” das participações

Tony Iommi sempre gostou de tocar com outros músicos. A lista é imensa e apenas refiro alguns exemplos. Participou no concerto de homenagem ao Freddie Mercury em 1992. Juntamente com Ozzy Osbourne, Phil Collins e o baixista Pino Palladino, tocou «Paranoid»  para a Rainha de Inglaterra durante as cerimónias do Jubileu.

Um dos melhores momentos para mim consiste na gravação duma versão de «Smoke on a Water» para o Rock Aid Armenia, cujos lucros revertiam para ajudar às vítimas do terramoto na Arménia em 1988.

5) Compôs uma música para o Festival da Eurovisão

Talvez seja o facto mais bizarro. Sim leram bem. Tony Iommi escreveu uma música para o Festival da Canção. Aconteceu na edição 2013 da Eurovisão e foi o grupo arménio Dorians que interpretou.

Acho que não preciso de escrever mais nada. Podem “fechar” a Internet.

PS: Parabéns Tony Iommi e que venham muito mais anos de vida!

Texto: João Pardal / Fotografia: Alternative Nation