Piçarra. Diogo Piçarra. É este o nome que está envolvido em mais uma polémica, naquela que é verdadeiro tribunal público dos tempos modernos: as redes sociais.

No passado domingo, dia 24 de fevereiro, o cantor foi o grande vencedor da segunda semi-final do Festival da Canção. Obteve 24 pontos, a pontuação máxima que pode ser atribuída aos concorrentes.

A mim, parecia que Diogo Piçarra seria o potencial vencedor deste concurso. O facto de ser uma cara conhecida pelo grande público, devido ao airplay que tem diariamente, é um dos pontos que torce a favor do favoritismo do cantor. Possui também uma legião de fãs leais, responsáveis por esgotarem a lotação dos coliseus no ano passado e de colocarem o ex-vencedor dos Ídolos nos primeiros lugares das tabelas de vendas.

Mas, passado algumas horas da incontestável conquista, as redes sociais não demoraram para arranjar mais um tópico para se entreterem. Os sinos do plágio começaram a tocar (leia-se sinos das notificações nos telemóveis) e puseram a Internet em alarme. “Diogo Piçarra e a música da IURD são iguais.” Houve até quem chamasse o cantor de Diogo ‘Carreira’ Piçarra.

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Exemplos de Tweets quando se escreve no motor de busca: “Diogo Piçarra” e “Plágio”

O maestro Vitorino d’Almeida, em entrevista ao Diário de Notícias, foi o mais duro nas críticas. “Não é um plágio. É igual” admite a conceituada figura no panorama musical português

No entanto, nem tudo foi mau. Colegas músicos mostraram-se solidários com Diogo Piçarra e rejeitam a intenção propositada do compositor em copiar a “música da IURD”. Artistas como Isaura, Susana Travassos (também concorrentes do Festival da Canção) e Márcia fizeram posts nas suas respetivas páginas de facebook.

Mas vamos ver lá uma coisa. “A música da IURD”, aquela que foi convocada como alegadamente ter sido a fonte de inspiração, na verdade não é uma canção original. «Abre os meus olhos» do Pastor Walter é uma versão da tema gospel «Open Your Eyes» do norte-americano Bob Cull. Por isso a Igreja Universal do Reino de Deus não pode recorrer à justiça para exigir direitos de autor.

Coincidência Divina ou Coincidência do Demónio?

Vou esclarecer um ponto que talvez se tenham questionado: Sou e não sou fã de Diogo Piçarra. Deixem-me explicar: admiro o trabalho que mostrou nestes últimos anos, enquanto compositor, letrista, performer e figura pública. Não sou fã das músicas que escreve, porque não vão ao encontro dos meus gostos. Mas sou o primeiro a reconhecer o valor enquanto artista e nesse aspeto “tiro-lhe o chapéu”.

Relembro-vos que o cantor ganhou o concurso de talentos Ídolos em 2012 e, apesar de não ter começado logo a exercer o sua vocação, Diogo Piçarra não teve qualquer preconceito em ir trabalhar num call-center de uma empresa multi-nacional de telecomunicações.

Antes da fama, chegou mesmo a servir em cafés e restaurantes. Por isso, o jovem de 27 anos tem origens humildes. Sabe o significado do verbo “trabalhar” e, por fim, chegou onde chegou foi com muita dedicação e também com uma pitada de sorte (porque também é necessária).

Agora se a «Canção do Fim» é igual a «Abre os Meus Olhos»…. Espera aí….

A música do Diogo Piçarra chama-se «Canção do Fim»? Epá… só me vem a cabeça o tema da Alanis Morissette: “Isn’t it ironic? Don’t you think?”

Portanto, qual foi o desfecho deste caso? O cantor desiste da participação no Festival da Canção, mas afirma estar de “consciência tranquila” e que pode ser apenas uma “coincidência divina”.

Sinceramente tenho as minhas dúvidas que Diogo Piçarra tenha propositadamente plagiado. Agora se existem demasiadas semelhanças, quer a nível melódico, quer a nível harmónico entre ambas… a minha resposta é afirmativa.

Como diria Margarida Rebelo Pinto: Não há coincidências. Permitem-me que faça uma atualização: Não há coincidências… mas quando há … são demoníacas!

Crónica: João Pardal