Numa noite de chuva e com bastante humidade, encontro-me junto à entrada do 2001, a auto-proclamada catedral do rock. Para quem não conhece, a discoteca situa-se debaixo da bancada do Autódromo do Estoril em Alcabideche.

Estou acompanhado de um amigo fotógrafo, que me vem apoiar, em termos técnicos, a conversa que vou ter com os Zanibar Aliens. Não são extra-terrestres, mas quase parecem. Afinal de contas são um grupo de rock “à antiga”, mas o elemento mais velho desta banda nem 25 anos tem.

Chegam ao local na sua carrinha Ford Transit de 1989. Começam a sair um a um: Carl Fernandes, vocalista e ocasional teclista; Filipe Fernandes, guitarrista; Ricardo Pereira, baixista; Martim Seabra também guitarrista e, por fim, Diogo Braga baterista.

Alguns dos elementos acendem cigarros e acabam de beber as cervejas que têm na mão. Depois de trocar umas palavras comigo, mostram entusiasmados para começar a entrevista.

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Da esquerda para a direita: Ricardo Pereira (baixista), Filipe Fernandes (guitarrista) e Martim Seabra (guitarrista)

Subimos as escadas e sentamo-nos nuns sofás que estão junto à entrada principal do 2001. “Um local icónico do rock em Portugal” é a forma como Filipe Fernandes define a discoteca. “O meu pai frequentava este espaço em 78 ou 79. Aliás acho que todos os nossos pais vinham ao 2001. Quando entrarmos na sala vamos ser transportados para essa década novamente”, acrescenta Diogo Braga.

Todos os elementos têm gostos musicais distintos, mas o fascínio pela década de 1970 é o que os une. Mas afinal qual é a identidade dos Zanibar Aliens? “A base é rock n roll, mas vamos buscar também a géneros diferentes. Não é porque queremos mas é algo que nos é natural”, assume o guitarrista Filipe Fernandes.

A entrada do baixista Ricardo Pereira em 2014 foi um ponto de viragem para a banda que, se apresentava como quarteto. Dois anos depois lançam o seu primeiro longa-duração («Bela Vista») e em 2018 estão prestes a editar o terceiro álbum.

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Da esquerda para a direita: Novamente Martim Seabra, Diogo Braga (baterista) e Carl Fernandes (vocalista)

Os Zanibar Aliens bebem muita inspiração musical dessa década. Os Led Zeppelin, os Cream ou os Beatles são as principais referências nas suas composições. O guitarrista assume (assim como o resto da banda) que a “educação musical” que teve foi crucial para fundar o projeto.

Ao que tudo indica 2018 será o terceiro ano consecutivo, que a banda da zona de Cascais irá lançar novo material. «Bela Vista» e «Space Pigeon», nome dos discos anteriores, são encarados como “testes”, enquanto que o terceiro álbum, ainda sem nome, será o “exame final” explica o guitarrista Martim.

Este trabalho foi gravado nos estúdios Namouche em Benfica e terá uma duração um pouco maior que o anterior. “O Space Pigeon acaba por não ser um álbum. É mais um EP, porque nem meia hora [de duração] tem. Sai antes do verão deste ano. Já temos os singles e estamos a terminar as gravações de dois videoclipes”.

Os Zanibar Aliens fazem questão de realçar da importância de tocar ao vivo e do impacto que tem. “As dinâmicas são completamente distintas. Os concertos não consistem apenas em  ‘tocar alto’. É também bem tocado e bem organizado” clarificam.

Não têm editora por opção própria apesar de já terem recebido convites. “Para darmos essa passo extra, tem que ser uma proposta que seja benéfico para ambas [as partes]. Estamos sempre a fazer as coisas por nós próprios. Nós somos donos das nossas músicas, dos nossos discos. do nosso merchandise. Não é uma editora que vai estar a fazer isso, pelo menos, por agora”, esclarece o guitarrista Martim.

Relativamente a concertos, o ano passado foi preenchido. Tocaram de norte a sul do país, sendo que a passagem pelo histórico festival Vilar de Mouros um dos pontos altos. A banda fez também uma mini digressão por Espanha em dezembro do ano passado com concertos seguidos.

“Foi uma experiência muito boa ,excepto a última data, porque o gerente do bar esqueceu-se de marcar hotel”. Devido a isto, os jovens regressaram a Portugal, na sua Ford Transit, com condições climatéricas muito adversas.

Apesar das sonoridades que praticam, não há dúvidas: os Zanibar Aliens são do século XXI. Abraçam as redes sociais e encaram o Youtube como sendo uma das principais plataformas de divulgação.

“Se formos a ver, quando procuramos bandas novas vamos sempre ao Youtube”, explica o baterista Diogo Braga. “Existe a necessidade de ver quem são as pessoas que tocam os instrumentos e daí a nossa aposta nos videoclipes”, complementa.

A verdade é esta: o quinteto consegue atrair  público “quarentão”, mas também há muito adolescente. “A idade é só um número no BI. O importante é gostar de rock e vir a concertos”.

Não diria melhor.

Entrevista: João Pardal / Fotografia: Luís Rebelo