Aproxima-se o domingo de Páscoa. Para os não-religiosos, esta época tem como propósito comer uns ovos de chocolate e aproveitar o período de férias conhecido nos Estados Unidos como “Spring Break”.

Mas nem nesta altura, que o vosso estimado blogger (aquele que está a escrever estas palavras) tem descanso e por isso arranjou mais um tema para deambular neste seu “cantinho”.

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Ovos da Páscoa com a maquilhagem dos Kiss

Portanto, para quem não conhece, “Easter Eggs” é como se diz “Ovos da Páscoa” na língua inglesa. No entanto, esta palavra tem um significado diferente, do que aquele que lhe é atribuído no sentido literal.

De acordo com o Dicionário Cambridge online, um Easter Egg também pode ser uma “surpresa oculta ou característca extra incluída em algo como um jogo de computador, um software ou um filme, para a pessoa que está usando ou assistindo para encontrar e aproveitar”.

Como estamos nesta época festiva e este blog é sobre música, pus-me a pensar: que “surpresas” é que artistas ou bandas incluíram nos seus trabalhos discográficos? Decidi pesquisar um pouco e agora apresento-vos os resultados.

A capa do disco «Somewhere in Time» dos Iron Maiden

Este “segredo” (se é assim que também podemos chamar aos “Easter Eggs”) foi logo um dos primeiros que me ocorreu quando pensei nesta lista. Os britânicos Iron Maiden são uma das minhas bandas favoritas e a capa do disco «Somewhere in Time» está recheada de detalhes que fazem qualquer fã de arte gráfica e de heavy metal deliciar-se.

Desenhada por Derek Riggs, que foi responsável por conceber todas as das capas dos álbuns nos anos 1980, o disco de 1986 está repleta de pormenores. Desde referências a autores de ficção ciêntifica como Philip K Dick ou Isaac Asimov, passando pela inclusão de temas do repertório dos ingleses e não esquecendo também a primeira ministra do Reino Unido na época: a senhora Margaret Thatcher.

Se tiverem tempo, sugiro que arranjem (ou pelo menos peçam emprestado) a capa do disco em vinil e passem a pente fino, os detalhes que o artista gráfico incluiu em «Somewhere in Time».

Código Morse numa música de Rush?!?

Um pormenor minucioso e prova que a música não é feita ao acaso. Os Rush, uma respeitadíssima banda de rock progressivo, puseram código morse num dos seus mais conhecidos temas: YYZ.

No início dessa música, ouvimos uma espécie de sinos a tilintar. Para os mais distraídos (da qual eu estou incluído) pensava que os primeiros segundos serviam apenas como secção introdutória, mas na verdade é também código morse.

E o que o transmite? As letras YYZ, nada mais nada menos que o título da canção. Detalhe super interessante e que torna a música ainda mais rica do que aquilo que já era.

De certeza que é apenas um leão?

A capa do primeiro disco na carreira de Carlos Santana é um leão. Certo? É melhor prestar atenção novamente.

Afinal de contas, a silhueta que compõe o animal felino no álbum de 1969 tem também rostos humanos. Não acreditam em mim? Pesquisem no google por uma imagem com boa definição.

Repararam que é possível ver cinco cabeças e um par de pernas? Confesso que nunca tinha prestado atenção a esta capa e fiquei verdadeiramente surpreendido quando descobri este “easter egg”. Pelo que dizem é possível ver nove rostos, mas só consegui ver cinco.

Os segredos de «Blackstar» que nem David Bowie sabia

David Bowie deixou o mundo terrestre com um disco monumental repleto de metáforas que estaria prestes a falecer. «Blackstar», para além de ser uma brilhante “canção de cisne” do artista britânico, contém alguns “easter eggs” mais bem guardados

Jonathan Barnbrook, o designer da capa do disco, revelou à NME que o álbum tem alguns segredos, que nem Bowie sabia. O designer afirma que cabe aos fãs mais acérrimos de os descubrir.

Até hoje foram desvendos dois: o primeiro consiste no brilho da capa do vinil quando exposta com luz negra e o segundo é a revelação de uns contornos de uma pessoa quando se une as estrelas mais brilhantes.

“Isto nunca mais acaba”

Havia um período em que bandas podiam (ab)usar os 80 minutos que um CD podia disponiblizar e assim incluíam “músicas escondidas”. Agora com os serviços de streaming já há pouco interesse para fazer uso dessa tecnologia e quem o faz é uma minoria.

Há vários exemplos, mas o que mais marcou foi a faixa “Endless Nameless” dos Nirvana. Na versão compact disc do icónico «Nevermind», existe um tema extra que se pode ouvir depois de terminada «Something in the Way»  Não está incluída em todas as edições em CD nem está referida na parte traseira do alinhamento do disco.

O tema é capaz de ser um dos mais agressivos dos três álbuns que o grupo de Seattle compôs

Texto: João Pardal