“And the shadow of the day
Will embrace the world in gray
And the sun will set for you” (Linkin Park, Shadow of The Day)

A questão ainda permanece: Será que os Linkin Park vão continuar a existir depois da morte trágica de Chester Bennigton? Neste momento, o assunto está em “águas de bacalhau”.

Numa entrevista recente ao site Vulture, Mike Shinoda admite que não tem uma resposta definida sobre o futuro do grupo californiano.

“Não há uma resposta. E isso tem graça; se eu digo o que quer que seja sobre o futuro da banda, isso torna-se a manchete. O que é estúpido, porque a resposta é que não há resposta (…) Os fãs [dos Linkin Park] julgam querer saber o que reserva o futuro. Acreditem, eu quero saber qual a resposta. Mas ela não existe”.

No entanto o músico anda a preparar o lançamento do primeiro disco a solo da sua carreira. Intitulado «Post Traumatic», o álbum será editado em junho, mas já podemos ouvir algumas das músicas que irão constar nesse trabalho. Procurem o EP com o mesmo nome.

Na qualidade como antigo fã de Linkin Park, tenho várias dúvidas se o grupo pode continuar sem Chester Bennigton. Afinal de contas, era uma peça fundamental no coletivo norte-americano e substitui-lo pode ser uma tarefa complicadíssima e injusta.

O possível candidato tem que ter capacidade vocal para se “casar” musicalmente com o tipo de sonoridade que os Linkin Park praticam hoje em dia. Por um outro lado, o mesmo vai ter que acarretar com as “más línguas” prontas para atacá-lo.

Vou fazer uma espécie de “prós e contras” sobre este assunto. O objetivo é enumerar alguns casos bem sucedidos (ou não) de bandas que continuaram, após a morte de um dado vocalista.

AC/DC

O caso dos AC/DC é talvez um dos mais bem sucedidos de sempre. Bon Scott, o primeiro vocalista a gravar álbuns com a banda australiana, faleceu em fevereiro de 1980. Uma morte trágica que apanhou a comunidade do rock de surpresa.

Apesar de ter sido uma decisão arriscada e ousada para a época, Angus Young e companhia quiseram dar continuidade à carreira dos AC/DC. Brian Johnson foi o substituto e o resto… é História (enfâse no “H” em maísculo).

Editaram nesse mesmo ano, «Back in Black» um dos mais bem sucedidos álbuns de rock de sempre. Êxitos como «You Shook Me All Night Long» ou «Hells Bells» imortalizaram o nome dos australianos e o disco vendeu milhões de exemplares. Só «Thriller» de Michael Jackson impede que os AC/DC ocupem o primeiro lugar.

Nota: Não referi a incursão de Axl Rose na banda, porque apenas atuou ao vivo. Apenas estou a contabilizar os vocalistas que editaram discos.

Tara Perdida

Agora um exemplo português. Os Tara Perdida não têm os mesmos números  de vendas que os AC/DC, mas a verdade é que a música que fizeram deixaram marcas físicas (leia-se nódoas negras) e moveram multidões ao longo dos anos.

João Ribas era, sem dúvida, o rosto da banda. Vocalista carismático e punk-rocker absoluto, o músico é considerado por muitos como “pai” do punk português. No entanto, uma infeção pulmonar roubou-lhe a vida em 2014, deixando assim um inesperado vazio neste panorama musical.

No entanto, a banda ressurgiu-se com um novo vocalista. Tiago Afonso foi o escolhido e, apesar do timbre ser ligeiramente diferente, o músico cumpre o papel. Os elementos que constituem a banda têm projetos parelelos, mas 2018, ao que tudo indica, irão editar novo disco.

Alice in Chains

Os Alice in Chains, um dos gigantes do grunge, distinguiram-se da “concorrência” graças à harmonia das vozes do vocalista Layne Staley e guitarrista Jerry Cantrell. A dependência das drogas acabou por levar a melhor de Layne, tendo falecido em 2002. (no dia em que publico esta crónica passam-se exactamente 16 anos)

Quando muitos esperavam que seria o fim para o coletivo de Seattle, o grupo recrutou um vocalista desconhecido do grande público e quiseram “ressucitar” a banda. William DuVall foi o homem escolhido para dar continuidade à carreira dos norte-americanos.

Depois de performances ao vivo menos conseguidas, William DuVall foi desinbindo-se a pouco e pouco e gravou, com o resto da banda, o álbum «Black Gives Away The Blue». Claro que não é a mesma coisa que Layne Staley, mas como fã de longa de data,considero que os discos e os concertos ao vivo não desilidem o espetador. Pelo menos foi o que senti em 2009, quando os vi ao vivo no festival Alive (vamos ver como corre este ano também!)

INXS

Este é talvez o caso mais negativo dos que apresentei até agora. Depois da morte de Michael Hutchense, os INXS simplesmente enquanto banda desmoronaram-se. Nunca conseguiram voltar a ter a fasquia que tiveram em tempos.

Foi uma queda de populariedade, de irrelevância musical e de recusa de prosseguir com outro projeto musical. Tiveram vários vocalistas, sendo que se destacam três: Jon Stevens (2000–2003) JD Fortune (2005–2011) e Ciaran Gribbin (2011-2012).

A restante da banda manteve-se intacta até terminarem de vez a carreira em 2012. O que correu mal? Foi a escolha dos vocalistas? Foi má gerência? Foi teimosia dos irmãos Farris (elementos fundadores dos INXS)?

Não sei. Mas que correu mal… ai isso correu.

 

Os Linkin Park devem continuar? Sinceramente, à semelhança que o Mike Shinoda afirmou, estou “sem resposta” definitiva. Inclino mais para a opinião que o projeto em si deve acabar e os elementos dos Linkin Park deviam formar um novo grupo. É importante recordar que Mike Shinoda fundou os Fort Minor, enquanto estava no auge dos Linkin Park, por isso não vejo impedimento para não criar um projeto inédito.

Mas a marca tem peso e o nome Linkin Park vende. Agora há apenas uma coisa que peço: componham música que faça jus ao nome.

Crónica: João Pardal / Fotografia: Fanart.tv