Mais um “prazer culpado” e desta vez uma banda nacional. Os Santos e Pecadores foram uma das bandas de maior sucesso nos anos 1990 e são agora os visados em mais uma rúbrica aqui no blog. Mas deixem-me que clarifique: não sou o maior fã da música que fizeram.

Parece um pouco contraditório, tendo em conta o objetivo desta crónica, mas respeito o percurso que tiveram. A banda que colocou Olavo Bilac na berlinda é conhecida pelas baladas como «Não Voltarei a ser Fiel» e «Fala-me de Amor».

A rouquidão do vocalista era uma das imagens de marca do grupo e fez suspirar muito público feminino. No entanto, Olavo Bilac ganhou protagonismo no “super-grupo” Resistência no início dessa década do qual partilhou tarefas com Miguel Ângelo dos Delfins.

A fã original

Em casa, tinha uma das milhares de fãs dos Santos e Pecadores. A minha irmã admirava bastante o grupo, ao ponto de, para além de comprar os álbuns todos, fazer também parte do clube de fãs oficial.

Até tinha um cartão de sócio, que a minha irmã chegou a mostrar-me. No entanto, apenas faltava algo: um autógrafo de Olavo Bilac.

Anos mais tarde, muito depois do período áureo da banda, as Festas de Linda-a-Velha convidaram o vocalista para um concerto. Não pensei muito no assunto, mas no dia da atuação, mesmo antes de sair de casa, tive a brilhante ideia de ir buscar a capa do cd ao quarto da minha irmã.

Não tinha partilhado com ninguém esta minha intenção, porque o meu objetivo era claro: queria surpreender!

O primeiro autógrafo

No dia do acontecimento, pus o plano em acção. Esperei que a minha família saísse de casa e depois: fui ao quarto da minha irmã, retirei o cd da estante e tirei também um marcador de tinta preta para que o Olavo pudesse assinar o disco.

Mas afinal qual álbum iria escolher? Afinal tinha uma panóplia de cds para escolher mas acabei por escolher «Voar» de 1999. Para além de ter um fundo claro, seria perceptível o autógrafo.

Chego ao recinto e apercebo-me que perdi algumas músicas do alinhamento. Tendo em conta que era um concerto de entrada livre, tinha-se ajuntado uma grande plateia.

Não me lembro de muito mais, porque era demasiado novo e ainda sabia apreciar um espetáculo deste tipo. Só sei que quando acabou dirigi-me de imediato à porta do backstage improvisado. Ainda esperei uns minutos e lá apareceu Olavo Bilac.

Mais uma vez não me lembro da conversa que tive com ele, mas tenho uma vaga ideia que ele elogiou-me pela atitude. Apenas recordo-me de duas coisas: era a única pessoa daquelas que foram pedir autógrafos com uma capa de cd (o resto tinham folhas de papel)  e que minha família estava arreliada porque não sabia onde tinha ido.

Finalmente saio dessa zona e vou ao encontro da minha mãe e irmã que estavam aborrecidas com a situação. Chego ao pé delas e, após uma mini discussão, mostro a minha conquista.

A minha irmã ficou contente, apesar de ter ficado preocupada comigo (e com razão).

E agora passados estes anos todos apercebo-me disto: o meu primeiro pedido de autógrafo foi dedicado à minha irmã.

Por isso é que posso afirmar que a música dos Santos e Pecadores tem um lugar especial no meu coração.

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“Para a Ana Filipa, Olavo Bilac”

Texto: João Pardal