O festival da Eurovisão está aí à porta e, pela primeira vez, o evento acontece no nosso país. Após ano e ano sem conseguir uma tão cobiçada vitória portuguesa, a canção dos irmãos Sobral fez com que a maldição fosse quebrada.

Mais do que uma competição, os temas musiciais portugueses sempre foram acarinhados pelo público e por isso, em jeito de nostalgia, venho trazer as músicas do Festival da Canção que me marcaram mais.

É uma lista pessoal e reflete apenas a minha opinião. Os temas que serão apresentados não têm ordem de preferência.

Sara Tavares – Chamar a Música

Talvez a primeiro tema que tenho recordação do Festival da Canção. «Chamar a Música», interpretada por Sara Tavares, foi a seleccionada para representar as cores da nossa bandeira na Eurovisão em 1994.

A cantora cabo-verdiana foi a primeira vencedora de um concurso de talentos em Portugal com o Chuva de Estrelas em 1993. Um ano depois, Sara Tavares foi a intérprete escolhida para cantar o tema de autoria da escritora Rosa Lobato Faria.

A entrega de Sara Tavares é sublime capaz de ficarmos de pele de galinha. Representou também a confirmação que a artista, de facto, “nasceu para a música. Ouvi-la em 2018 representa, para mim, viajar à minha infância. Nunca entendi o porquê de apenas ter ficado em oitavo no ano em que concorreu.

Dulce Pontes – Lusitana Paixão

Mais uma canção da década de 1990 e outra que ainda me faz confusão não ter conseguido um lugar no pódio (ou, pelo menos, no top 5). Dulce Pontes é uma das grandes vozes nacionais e «Lusitana Paixão» é, à falta de melhor palavra, um hino.

As referências ao fado e à “alma lusitana” são testemunhos da imponência da canção e a voz da Dulce Pontes intensifica ainda mais o sentimento espelhado no tema musical.

Apesar de memorável, a canção ficou-se também pelo oitavo lugar em 1991.

Da Vinci – O Conquistador

Os temas anteriores eram baladas “puras e duras”, mas agora este tema é do mais pop épico que Portugal alguma levou.

Da Vinci eram um duo composto por Pedro Luís e Iei-Or (sim é mesmo o nome da vocalista). Apesar de nem sequer era nascido quando foram à Eurovisão, a banda da década de 1980 ganhou uma dimensão distanta graças à participação no especial fim de ano «Diz que é uma espécie de Reveillon» dos Gato Fedorento.

Em festas e Carnavais, é inegável que este tema põe toda a gente a cantar. E quando chega ao refrão.. Os corações portugueses ficam ao alto.

Carlos Paião – Playback

Um artista na verdadeira aceção da palavra. Carlos Paião é sinónimo de música popular portuguesa e o seu repertório é recheado de canções únicas.

Em termos líricos «Playback» representa uma sátira brilhante. Ao mesmo tempo, é também um enorme tema sabiamente composto e que fica no ouvido. A letra e a coegrafia marcaram o cancioneiro português e, até hoje, a participação de Carlos Paião é recordada com saudade pelo grande público.

À semelhança de António Variações, Carlos Paião teve uma morte precoce e talvez estivesse demasiado à frente face à época, mas o que importa, é que o seu nome continua a inspirar gerações mais novas.

José Cid – Um grande grande amor

“Adio, adieu, auf wiedersehen, goodbye”. Não fiz nenhum inquérito, mas acredito que, graças a José Cid, toda a população portuguesa sabe dizer “adeus” em quatro línguas diferentes.

É um dos refrões mais reconhecidos de sempre de um dos maiores compositores da sua geração. Apesar de controverso, ninguém pode negar o talento de José Cid no que diz respeito a compôr músicas. Tem mais de uma mão cheia de êxitos, que fazem parte do imaginário de milhares de portugueses espalhados pelo mundo.

Apesar desta seleção, tenho noção que deixei óptimas canções de parte. Não desesperem! Esta lista é pessoal e representa apenas a minha opinião! Afinal de contas, é este o propósito da internet!

Texto: João Pardal