Nos últimos dias, tive a sorte de estar envolvido no festival da Eurovisão e por essa razão ganhei uma nova percepção sobre este evento. O contacto priveligiado com as delegações dos países participantes e com a própria equipa de produção, fez-me perceber a real dimensão do festival.

Mas não foi sempre assim. Se não fosse a vitória inédita de Salvador Sobral, neste momento, não teria mudado de opinião e não estaria a escrever esta crónica. Por isso, apenas posso dizer: Obrigado Salvador!

Voltando ao assunto: O facto de ter presenciado uma grande parte das conferências de imprensa dos mais variados artistas fez-me perceber que levam o festival como um assunto sério e não como uma “pimbalhice do ****alho”.

Esclareço desde já: não gosto de todas as canções que ouvi, mas ter escutado, na primeira pessoa, por exemplo, os argumentos que a cantora da Grécia utiliza para fundamentar as inspirações culturais da sua canção, fez-me perceber que há mais substância do que aparentam.

A imprensa especialista e os fãs ferverosos

Para além dos artistas, os jornalistas que estão destacados a fazer a cobertura do evento são talvez um dos aspetos mais reveladores da importância da Eurovisão. Troquei impressões com repórteres da África do Sul, Austrália, Polónia, Bulgária e até mesmo China.

Afinal de contas, a Eurovisão é vista por cerca de 200 milhões de tele-espetadores em todo o mundo. De acordo com os dados fornecidos pelo EBU (European Broadcasting Union), a primeira semi-final realizada esta semana teve uma audiência que superou os 180 milhões de espetadores.

Mais do que uma competição, este festival é um negócio de milhões e que move milhares de fãs para a arena onde se realiza este evento. As casas de aposta são também outro elemento que faz com que a Eurovisão ganhe uma nova dimensão.

Ver com os meus próprios olhos

Tive oportunidade de presenciar a primeira semi-final, juntamente, com as minhas colegas, e por isso não quis desperdiçar. Afinal de contas e volto a referir, não sou o maior fã eurovisivo, mas também gosto de apreciar um bom espetáculo musical, independentemente do estilo.

Fomos acompanhados por um elemento do staff para o Altice Arena e, depois de vários controlos de segurança, entramos na maior sala de espetáculos de Portugal.

A algazarra já era imensa no caminho dos transportes públicos e nas imediações da Arena. Vi fãs com bandeiras dos seus respetivos países, t-shirts alusivas ao festival e até fãs mascarados. Mas sobretudo existia um ambiente contangiante de boa disposição.

O segurança abriu-nos a porta que dava acesso ao Balcão 1 e depois, sem prever, tive arrepios na espinha. À minha frente estava uma moldura humana e um palco imponente. Sentei-me e, segundos depois, começou a “chuva de estrelas”.

Já conhecia as músicas dos países que desfilaram na primeira semi-final e por isso dei por mim a cantarolar alguns dos temas, acompanhado com palmas em ritmo.

Também dei por mim a dar gritos de apoio aos países nos momentos em que iam começar com as suas atuações. Acho que nunca gritei tanto “Dá-lhe Albânia! Tu consegues!” ou “Força Chipre! Eu acredito!”.

E quando foi o momento de escolherem os primeiros 10 finalistas? Os nervos estavam a flor da pele, ao ponto de ter saltado de alegria quando anunciaram que a Albânia foi seleccionada para ir à final. Parecia que tinha sido um golo que valeu um campeonato de uma equipa de futebol.

Depois de hora e meia de espetáculo, chego a conclusão que, durante esse tempo, encarnei um papel de bimbo azeiteiro (daqueles que a maior parte das pessoas abomina). Mas, o mais engraçado, é que soube-me bem estar a representar esse papel. Teve um efeito algo catártico e posso dizer que, a Eurovisão propocionou-me uma experiência única.

É foleiro? Sim. É azeiteiro? Sim. É “fast food” musical? Sim

Mas a verdade é que, por vezes, cometemos “pecados” musicais. Mas há que saber equilibrar a balança e “ir ao ginásio”.

Não sei se isto será passageiro ou não, mas a verdade é que:

The 12 points from All We Need Is Noise goes to… Eurovision Song Contest 2018.

Texto: João Pardal